Destaque Expresso
Alberto Martins pode ficar fora das listas do PS
O líder parlamentar do PS só aceita ser candidato a deputado pelo Porto, círculo pelo qual sempre foi eleito. Ou isso ou não vai a votos. Manuel Alegre garante que se Alberto Martins ficar de fora, nem na campanha ele participa.
O braço-de-ferro entre o líder da bancada e a direcção do PS endureceu. Alberto Martins poderá não integrar as próximas listas de candidatos a deputados se José Sócrates entregar o primeiro lugar do Porto ao seu número dois no Governo, o ministro de Estado, das Finanças e da Economia, Teixeira dos Santos. E se isso acontecer Manuel Alegre garante que nem na campanha entrará.
A posição de Alberto Martins é taxativa: ou cabeça-de-lista pelo Porto ou nada. O líder da bancada admite ficar fora das listas do PS para a próxima legislatura caso Sócrates insista em oferecer-lhe o lugar cimeiro de Coimbra, círculo ao qual não tem qualquer ligação, a não ser o facto de ter estudado lá (e liderado o movimento de rebelião estudantil de 1969), em vez do Porto - distrito de onde é natural, onde reside e pelo qual sempre foi candidato.
A incógnita sobre que lugar será afinal oferecido a Alberto Martins tem dominado a discussão no PS sobre as listas de candidatos à Assembleia da República na próxima legislatura. E tem provocado algum mal-estar no interior da bancada da maioria.
A dois dias da aprovação final das listas de candidatos pela Comissão Política do PS (que se reune para o efeito na sexta-feira à noite), e numa altura em que a maioria das federações distritais já ultimou as suas propostas, desconhece-se ainda que nomes quer o secretário-geral do PS impor. E crescem as expectativas sobre qual será a sua opção relativamente a Alberto Martins.
Cederá Sócrates às pretensões de alguns dirigentes do PS que querem relegar o líder parlamentar, representante de uma certa ala esquerda do partido e próximo de Manuel Alegre, para um círculo de segunda linha (como Coimbra)?
Ou o líder socialista sacode as pressões e premeia Martins (que desempenhou um papel único no equilíbrio interno do PS nestes quatros anos - foi ele, nomeadamente, o principal intermediário nas tentativas de entendimento entre Sócrates e Manuel Alegre), oferecendo-lhe simbolicamente o lugar mais importante a seguir a Lisboa (que será ocupado, como já é tradição,pelo presidente da Assembleia da República, Jaime Gama)?
Sem comentários:
Enviar um comentário