Francisco Mangas Ontem
Dias Loureiro, Oliveira Costa e Arlindo de Carvalho, figuras nos governos de Cavaco, seguiram os caminhos dos negócios sem se afastarem da política
O que têm em comum Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho e Oliveira Costa? Todos eles integraram governos de Cavaco Silva. Após o fim do cavaquismo, tornaram-se empresários de súbito sucesso, sem nunca, com excepção de Oliveira Costa, se afastarem por completo da política. O BPN junta-os de novo, agora na condição de arguidos.
Dias Loureiro é uma das figura destacadas do cavaquismo. Amigo pessoal do político que deu origem a este "ismo" português, teve uma súbita ascensão no PSD. De discreto governador civil de Coimbra passa a secretário-geral do partido. Pouco depois, Cavaco convida-o para ministro dos Assuntos Parlamentares. No Governo seguinte, início da década de noventa, é ele o responsável pelo Ministério da Administração Interna.
Foi uma pasta difícil de gerir. O cavaquismo mostrava fissuras, irrompiam variados protestos na ruas. O mais célebre terá sido o longo bloqueio da Ponte 25 de Abril. E Dias Loureiro resolveu--o de forma musculada: a polícia de choque dispersou com inusitada violência milhares de manifestantes.
Nesse Governo, que a líder do PSD também integrou, o ministro da Saúde era Arlindo de Carvalho, agora arguido do caso BPN. Da área do cavaquismo é também José Oliveira Costa, o rosto do Banco Português de Negócios durante mais de uma década. A amizade com o Presidente da República vem do tempo em que os dois economistas trabalhavam no Banco de Portugal. Mais tarde, Cavaco convida-o para secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.
Após o declínio do cavaquismo, a vida empresarial enlaça estes antigos membros do Governo. Aliás, a passagem pelo Executivo, com os muitos conhecimentos que a actividade governativa gera, terá facilitado o acesso ao restrito mundo dos grandes negócios. Oliveira Costa afasta-se da política; a Dias Loureiro a vida empresarial não o impede de continuar referência e a ter influência no partido e no País. O Presidente da República nomeou-o seu conselheiro de Estado, cargo que entretanto abandonou; na luta interna do PSD coordenou o programa de Marques Mendes, antigo colega de Governo, nas directas.
O agora empresário Arlindo de Carvalho, arguido no caso BPN, também esteve atento ao partido. Ao contrário do antigo ministro da Administração Interna, juntou-se a Luís Filipe Menezes na luta pela liderança. Depois, com a saída de cena de Menezes, foi apoiante de Pedro Santana Lopes e, nos últimos tempos, tem sido dado como próximo de Passos Coelho.
2 comentários:
José Sócrates diz que "“Ainda está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor do que eu”. Novo artigo sobre essas declarações do nosso PM e acerca das propostas do seu "amiguinho do Seixal", Samuel Cruz. Tudo no blogue O Flamingo.
É preciso ler bem e ouvir melhor:
= que Sócrates disse "Ainda está para nascer o 1º. ministro que tenha posto as contas públicas em ordem e um défice de 2,6%"
E é verdade. Nem o brilhante Cavaco e os seus ministros e secretários agora a braços com o escandalo do BPn, BCP e BPP, conseguiram.
Então Ferreira Leite além de camuflar o défice com receitas extraordinárias, nem com a venda de impostos ao CityGroup. E agora tem a distinta lata de pedir certificação das contas por um órgão técnico da Comissão de Finanças, quando sabe que foi com este governo que se criou uma entidade independente com o Banco de Portugal, INE e Direcção Geral do Orçamento.
Quando era Ministra das Finanças com Barroso quem certificava as contas era o próprio governo com a DGO.
Esta senhor mente como um cesto roto. Nunca explicou contrato da vcenda de impostos que nos custa mais que as SCUTS.
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