
1. Sempre pensei que as sondagens valem o que valem. Às vezes conseguem exprimir a realidade, outras, pelo contrário, enganam-se, como sucedeu com as passadas eleições europeias. Não quer isto dizer que desconfie dos técnicos - e temo-los excelentes - que se entregam ao difícil labor de elaborar sondagens. Significa tão-só que - até ao momento de fecharem as urnas - o voto é muito volátil, muda, às vezes, à última hora. É por isso que é uma imbecilidade alguém considerar-se "proprietário" dos votos que lhe são atribuídos ou que alguma vez teve. Por mim, nunca cometi esse erro.
Na actual campanha tem havido mudanças e oscilações frequentes. Conforme nota, com a lucidez habitual, um especialista de sondagens, que prezo muito, o dr. Pedro Magalhães: "Em cada três eleitores, mais do que um dizem ter mudado a sua opção de voto nos últimos dias." É natural que assim seja, visto que os debates televisivos entre os líderes dos partidos com assento parlamentar desta vez foram muito esclarecedores e até os Gato Fedorento ajudaram. O secretário-geral do PS, José Sócrates, ganhou, quanto a mim, todos os debates, dando de si uma imagem de contenção, competência e bonomia que representa o contrário da imagem que a oposição, sistematicamente, lhe atribuía.
Agora que começou a fase final da campanha eleitoral - e acabaram os debates -, o contacto dos líderes com as pessoas nas ruas, nos mercados e nos lugares em que há gente, Sócrates tem reforçado a nova imagem de proximidade, cordialidade e contenção. Portas, líder do CDS-PP, tem sido até agora o campeão das feiras - até lhe chamam o "Paulinho das feiras" - mas deve acautelar-se, tem agora um concorrente de peso.
Será que Sócrates mudou? Penso que sim. É natural. Aprendeu muito nestes últimos quatro anos, tão duros, e sobretudo com a crise global que nos afecta. Conhece os dossiers da crise e muito razoavelmente as pessoas. Ninguém melhor do que ele, julgo, está em melhores condições para fazer frente à crise global e a poder vencer. Ora é isso que interessa, acima de tudo, aos portugueses. O que representa mais uma razão para reflectirem e ponderarem antes de lançarem o voto na urna. Será decisivo que assim suceda para o futuro próximo de todos nós.
Acresce ainda que entre os partidos concorrentes só há dois líderes que podem vir a ser primeiros-ministros, dado o mais que provável volume de votos que têm os partidos que lideram: Sócrates ou Manuela Ferreira Leite. Os outros são líderes, obviamente legítimos e respeitáveis, mas que não contam - é injusto mas é assim - para o campeonato que leva à escolha de quem irá formar Governo na próxima legislatura.
Os votos de protesto, de afecto ou ideológicos são absolutamente legítimos, como é óbvio. Mas, tratando-se de uma escolha decisiva, é importante que nos lembremos de que não devemos deixar governar a direita. Seria muito pior do que sucedeu no passado recente, dada a crise que nos afecta, muito grave, sobretudo para a esquerda: os mais pobres, os desempregados, os imigrantes, as micropequenas e médias empresas

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