Decorre a campanha das Autárquicas, e no Porto ouve-se falar, insistentemente, em estancar a saída da sua população e, se possível, fazer regressar alguma da que saiu.
A causa primeira da saída dos seus habitantes tem a ver com a falta de habitação a preços comportáveis, que os concelhos limítrofes têm conseguido oferecer. A política do preço especulativo dos solos só pode ter conduzido a onde nos encontramos. E aqui não há inocentes.
Pese embora o discurso de todos os candidatos à CMP, receio que o problema se agrave, de tal modo que a cidade passe a irrelevante. E se é certo que muito emprego tem sido criado na periferia da cidade, grande parte da população ainda vem trabalhar para o Porto, sem que as finanças municipais disso beneficiem, ao menos ao nível de IRS.
A propósito, vale a pena ver como evoluiu a população nos concelhos do Porto, V.N.Gaia, Matosinhos, Maia, Gondomar e Valongo, entre 1991-2000 e 1991-2008, conforme trabalho publicado no Público de ontem, com base nos dados do INE
Assim:
- entre 1991 e 2000, o Porto perdeu 13,6% , e 28,2%, entre 1991 e 2008;
- nos mesmos períodos, os ganhos dos concelhos limítrofes foram
. V.N. Gaia - 14,5% e 26%
. Maia - 27,1% e 51,4%
. Matosinhos - 8,8% e 11%
. Gondomar - 12,8% e 21,1%
. Valongo - 15,2% e 32,2%
Se é certo que os ganhos dos restantes concelhos não são totalmente à custa do Porto, certo também é que o Porto contribuiu em boa medida para tal crescimento.
Acrescerá que muita gente foi ainda "empurrada" para mais loge, como Trofa, Famalicão, Espinho e etc.
Como digo, sou muito céptico quanto à inversão do fenómeno. Oxalá me engane.

1 comentário:
Não vejo que nos próximos anos a coisa se altere. Se a CMP investisse mais, teria o reembolso garantido pelos impostos que iria cobrar, que não só o IRS.
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