quarta-feira, 14 de outubro de 2009

VÃO TODOS JOGAR À DEFESA. O PAÍS QUE SE AMANHE




Paulo Portas realizou a conferência de imprensa a partir da sede do CDS-PP no Largo do Caldas.
Manuel de almeida, Lusa
O líder do CDS-PP deslocou-se à residência oficial do primeiro-ministro para manter uma conversa de duas horas com José Sócrates. Mantendo o silêncio à saída da reunião, que se insere na ronda de encontros entre Sócrates e os partidos com assento parlamentar, Paulo Portas declarou já no Caldas que os democratas-cristãos serão uma oposição activa e escrutinadora "lei a lei".

À pergunta dos jornalistas sobre se José Sócrates, o primeiro-ministro indigitado, o questionou sobre se estaria disponível para coligações ou acordos, Paulo Portas assentiu.
"Sim, perguntou, e eu disse que não", continuou. Na declaração a partir da sede do CDS-PP, Portas explicaria aos jornalistas que a sua ida a São Bento serviu fundamentalmente para apresentar ao futuro primeiro-ministro o caderno de encargos do seu partido para a legislatura que se segue.
Entre os pontos que merecem a atenção de Paulo Portas estão a redução da carga fiscal das PME, o desconto familiar por filho e o aumento das pensões mais baixas: "Esses pontos de substância serão determinantes para avaliar os debates que se seguem ao do programa do Governo e podem aliás estar presentes no debate do programa do Governo".
Portas aconselha futuro primeiro-ministro
Um ponto que poderá vir a ser alvo de especulação tem a ver com a declaração do líder democrata-cristão durante a conferência de imprensa quando referiu aos jornalistas ter aconselhado a José Sócrates a não avançar com uma moção de confiança no Parlamento.
"O que eu disse ao primeiro-ministro indigitado é que não é altura para atitudes irresponsáveis. Desaconselhei por isso a apresentação de uma moção de confiança. O povo não deu a maioria ao Partido Socialista e apresentar uma tal moção de confiança significaria esticar a corda e começar mal", explicou Portas.
Escrutinar Governo Sócrates "ponto por ponto"
Assegurando que não está obcecado por cargos ou lugares, Portas diria que é sua intenção preservar a independência do CDS-PP em relação ao Governo.
"Confirmei ao primeiro-ministro indigitado que o CDS será oposição. Foi esse o mandato que recebemos. Seremos uma oposição à política socialista no Governo de Portugal", disse Portas, sublinhando que "sempre disse que não estava obcecado nem por cargos nem por lugares".
Com um programa distinto da estratégia que o PS se propõe implementar nos próximos quatro anos, Paulo Portas garantiu que o seu partido será uma oposição responsável "ao novo Governo", pelo que a disposição é a de avaliar as propostas do segundo Executivo Sócrates "lei a lei".
Na senda do que já fora afirmado pela presidente do PSD, e reiterando que "não é a altura para atitudes irresponsáveis", Paulo Portas rejeita que os democratas-cristãos possam assumir uma atitude "ser do contra só por ser".

1 comentário:

R. da Cunha disse...

Sócrates não lhe ofereceu o ministério da Defesa? Pois devia.