Aristóteles considerava (e muito bem) que, para haver uma discussão salutar, era necessário que os contendores estivessem de acordo sobre algumas coisas elementares (como a neve ser branca ou devermos honrar os pais).
Tenho notado que esse acordo de base está cada vez mais em causa. Como, então, realmente poder discutir, se não há bases comuns para tanto? O que mais se faz hoje é atirar argumentos derivados de dogmatismos, instrumentalizar e deformar factos, etc. As paixões dominam o discurso. Mesmo pessoas inteligentes resvalam para o efeito fácil, a evocação dos medos e dos preconceitos alheios, para o verbalismo e a demagogia.
Há uma crise argumentativa, antes de mais.
E obviamente quem menos regras tem é quem está longe, e ávido de poder... Neste centenário da implantação da República, começa a ser impertinente a lavagem ao cérebro pró-monárquica que é tão veiculada, por exemplo nas redes sociais. O branqueamento da monarquia tornou-se chic...
Não haverá uma resposta republicana?
1 comentário:
É sabido que em tempos de crise há sempre quem se aproveite para fazer "negócio". O país está deprimido e é chic, como diz, e "oportuno" bater no regime. "Se houvesse um rei nada disto acontecia", poderiam dizer os pró-monarquia. A imprensa, que vem publicado artigos sobre a I República não ajuda muito, já que realça os aspectos negativos (que os houve), omitindo (ou não dando ênfase a) os aspectos positivos.
Contudo, apesar das revistas do coração que por aí pululam sobre príncipes e infantas, creio que o regime republicano está de pedra e cal. Por mim, ainda não consegui entender a superioridade de monarquias sobre repúblicas, com todos os defeitos que estas possam ter.
Quanto ao (não) diálogo, nada a fazer se eu defender que a neve até pode ser preta.
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