quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eu já votei!


JÁ VOTEI

Já votei. Estarei fora, em serviço, quando escolheremos o rosto que nos representará no vértice do Estado. Mas consegui juntar a papelada e fui à Câmara Municipal. Nem difícil, nem demorado: todos colaboraram simpaticamente.

Na campanha ficou claro que esquerda e direita não morreram. Mas a luta transcende essa divisão: o que está em causa, além do estilo e do símbolo, é verdadeiramente a prova real da Constituição.

A causa constitucional é transversal: além da esquerda, atravessa o PSD, pois há nele social-democratas e não só “liberais” e “elitistas”. E aí e no CDS (além de noutros partidos e sem partido) católicos fiéis à doutrina social da Igreja não alinham com a actual cedência da direita ao neoliberalismo, uma heresia para os mais legítimos conservadores e democratas cristãos.

Cavaco não renega a sua família política e social, por muito que proteste gostar dos pobres. Alegre sempre se assumiu pelo Estado Social. Entre uma e outra das candidaturas se joga a grande batalha, batalha decisiva. E é exaltante que assim seja: entra pelos olhos dentro.

As demais candidaturas, todas, são lufadas de ar fresco. Todas são vozes a ser ouvidas. E na segunda volta, esperemos que todas estejam unidas em torno do que, com sensibilidades diferentes, une os da Constituição: uma preocupação democrática e social, pela Escola pública, a Segurança Social, o Serviço Nacional de Saúde.

Acaba até por ser esclarecedor o que apontam a este e àquele candidato. Que bom para Defensor Moura andar muito pelo Norte: pois se ele quer a regionalização! Que óptimo para Francisco Lopes debitar a “cassette”: é coerente com as ideias comunistas de sempre. E para Coelho acusarem-no de histrionismo: ele próprio inteligentemente escolheu esse estilo. Excelente para Fernando Nobre não ter experiência política: é mesmo disso que se orgulha. Que boas para Manuel Alegre até as calúnias: elas revelam cabalmente a mesquinhez e / ou o reaccionarismo do pensamento que as dita.

Eu já votei: politicamente, pelo Estado Social; pessoalmente, pelo orgulho de vir a ter como Presidente um Homem Culto e com sentido da História e que, como dizia – e bem – o seu boneco da “Contra-Informação”, não se deixará calar. Que dá a garantia de cumprir cabalmente a Constituição que todos os presidentes têm de jurar. E que redigiu o seu Preâmbulo, último reduto onde reside, como no fundo da Caixa de Pandora, a esperança de um Socialismo nosso!


2 comentários:

R. da Cunha disse...

Deduzo que contribuiu para o "resultado" do meu sonho de há dias (quer dizer, noites): 29,05%.
Não tendo votado no Coelho, que oferece sacos de batatas em Gondomar,votou bem.

Anónimo disse...

votei com muita alegria!