O reitor da Universidade de Lisboa lançou hoje um apelo à renovação dos partidos, considerando que o combate à austeridade é uma luta pela liberdade que não pode ser perdida nem pelo silêncio nem pela renúncia.
António Sampaio da Nóvoa encerrou na Aula Magna de Lisboa a série de seis discursos proferidos na conferência "Libertar Portugal da austeridade", num discurso que foi aplaudido de pé em vários momentos.
"É preciso renovar a política nos partidos e na sociedade. As instituições da República têm de funcionar com os olhos no bem comum, no bem público, com equilíbrio e independência, combatendo a promiscuidade entre política e os negócios", declarou o professor catedrático.
Com figuras como Francisco Louçã, Catarina Martins, João Semedo, Manuel Alegre, Domingos Abrantes e Ferro Rodrigues na plateia, o reitor da Universidade de Lisboa fez um diagnóstico negro da actual situação de Portugal e disse que o povo português está "cansado, exausto", custando-lhe aceitar "que tudo acabe numa parede impenetrável, que se limita a repetir que não há alternativa".
"Hoje sabemos de ciência certa que a austeridade não é alternativa", sustentou, recebendo a primeira ovação prolongada da assistência, onde se encontravam vários dirigentes do PS, PCP e Bloco de Esquerda, bem como representantes da CGTP-IN e da UGT.
Para o reitor da Universidade de Lisboa, o combate contra a austeridade é "mais um combate pela liberdade", porque a austeridade "é uma ideologia que assenta em visões tecnocráticas que não colam com a realidade, que destroem a economia e as pessoas".
"Agora é preciso abrir caminhos. Não podemos perder a pátria nem por silêncio nem por renúncia", disse, afirmando que os portugueses sentem "o desespero de quem está a morrer na praia às mãos de visões curtas, estreitas e desumanas".
"Precisamos de mudar de vida e de políticas. O trabalho precário é um cancro para o desenvolvimento económico e o desemprego jovem é a morte a prazo da sociedade", advertiu.
Lusa/SOL

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