Em termos absolutos, o valor dos empréstimos de risco a Portugal é o mais elevado nos países afectados pela crise do euro. Portugal era o único destes países em que havia registo de incumprimentos
O Banco Europeu de Investimentos (BEI) classificou como "de risco" créditos de cerca de 500 milhões de euros (498 milhões) concedidos a Portugal. Este é o valor dos empréstimos em que o BEI já reconheceu imparidades (perdas potenciais) tendo constituído provisões para fazer a frente a eventuais incumprimentos.
O número consta de um relatório da Moody's sobre o rating do BEI, com data de Agosto, em que a agência de notação financeira avalia a solidez do balanço da instituição face à descida de rating de alguns dos seus grandes clientes, como Espanha, Portugal e Irlanda e Grécia, na sequência da crise da dívida soberana. E se na exposição a Espanha, que é o maior cliente do BEI, a Moody's até assinala melhorias, graças à injecção de fundos feita por Madrid nas autonomias, já em relação a Irlanda e Portugal é sublinhado um "aumento significativo" de empréstimos com imparidades (perdas potenciais). Os créditos classificados como de risco em Portugal apresentam o valor mais alto, em termos absolutos, na carteira da exposição do BEI aos países sob maior pressão dos mercados e que inclui ainda a Itália e Chipre.
Os empréstimos à economia nacional neste situação ascendiam, no final do ano passado, a 498 milhões de euros e representavam 2,1% da exposição financeira a Portugal. Apesar de a Irlanda ter créditos de risco de valor mais baixo, 112 milhões de euros, o rácio face ao financiamento concedido era mais alto e atingia os 2,3%.
BEI executou garantia na A17 A maioria dos financiamentos do BEI beneficia de colaterais assegurados por terceiros, o Estado através de aval ou a banca comercial através de garantias contratadas para o efeito. Na prática, a instituição fica protegida contra o risco de incumprimento do cliente final, accionando estas garantias. Foi o que sucedeu na concessão da Brisal, que opera a auto-estrada A17, em que o BEI exigiu aos bancos, entre os quais BCP e Caixa, que avançassem com os fundos em falta.
Nos créditos classificados na carteira de risco próprio, o BEI está exposto ao risco do cliente final, o que significa que em caso de incumprimento quem fica a perder é o banco europeu. Por isso o BEI já constituiu provisões no valor de 121 milhões de euros para perdas potenciais em empréstimos a Portugal. O relatório da Moody's revela ainda que Portugal é o único país da União Europeia em que se registou um incumprimento de pagamentos de 35 milhões de euros, que sobe para 38 milhões de euros com juros e comissões.
O "maior cliente per capita do BEI" Portugal tem ainda empréstimos no valor de 5,2 mil milhões de euros incluídos na lista de vigilância dos activos do BEI que exigem uma monitorização acrescida. É de novo o valor mais alto no universo dos países afectados pela crise do euro, e representa cerca de 20% do total dos financiamentos desembolsados por entidades nacionais junto do BEI e que totalizam 21,1 mil milhões de euros.
A elevada exposição ao risco de Portugal resulta do alto nível de empréstimos concedidos ao país até à crise financeira. Em 2009, o então vice-presidente do BEI, Carlos Costa, hoje governador do Banco de Portugal, dizia que o país era o maior cliente per capita do banco europeu.
Questionado pelo i sobre os números, fonte oficial do BEI escusou-se a revelar mais dados para além dos que já são públicos. A Moody's diz que a maior exposição a Portugal está concentrada no sector empresarial, com 58%, onde estarão incluídas as concessionárias de auto-estradas, como a Brisal, que está em situação de incumprimento.
O número consta de um relatório da Moody's sobre o rating do BEI, com data de Agosto, em que a agência de notação financeira avalia a solidez do balanço da instituição face à descida de rating de alguns dos seus grandes clientes, como Espanha, Portugal e Irlanda e Grécia, na sequência da crise da dívida soberana. E se na exposição a Espanha, que é o maior cliente do BEI, a Moody's até assinala melhorias, graças à injecção de fundos feita por Madrid nas autonomias, já em relação a Irlanda e Portugal é sublinhado um "aumento significativo" de empréstimos com imparidades (perdas potenciais). Os créditos classificados como de risco em Portugal apresentam o valor mais alto, em termos absolutos, na carteira da exposição do BEI aos países sob maior pressão dos mercados e que inclui ainda a Itália e Chipre.
Os empréstimos à economia nacional neste situação ascendiam, no final do ano passado, a 498 milhões de euros e representavam 2,1% da exposição financeira a Portugal. Apesar de a Irlanda ter créditos de risco de valor mais baixo, 112 milhões de euros, o rácio face ao financiamento concedido era mais alto e atingia os 2,3%.
BEI executou garantia na A17 A maioria dos financiamentos do BEI beneficia de colaterais assegurados por terceiros, o Estado através de aval ou a banca comercial através de garantias contratadas para o efeito. Na prática, a instituição fica protegida contra o risco de incumprimento do cliente final, accionando estas garantias. Foi o que sucedeu na concessão da Brisal, que opera a auto-estrada A17, em que o BEI exigiu aos bancos, entre os quais BCP e Caixa, que avançassem com os fundos em falta.
Nos créditos classificados na carteira de risco próprio, o BEI está exposto ao risco do cliente final, o que significa que em caso de incumprimento quem fica a perder é o banco europeu. Por isso o BEI já constituiu provisões no valor de 121 milhões de euros para perdas potenciais em empréstimos a Portugal. O relatório da Moody's revela ainda que Portugal é o único país da União Europeia em que se registou um incumprimento de pagamentos de 35 milhões de euros, que sobe para 38 milhões de euros com juros e comissões.
O "maior cliente per capita do BEI" Portugal tem ainda empréstimos no valor de 5,2 mil milhões de euros incluídos na lista de vigilância dos activos do BEI que exigem uma monitorização acrescida. É de novo o valor mais alto no universo dos países afectados pela crise do euro, e representa cerca de 20% do total dos financiamentos desembolsados por entidades nacionais junto do BEI e que totalizam 21,1 mil milhões de euros.
A elevada exposição ao risco de Portugal resulta do alto nível de empréstimos concedidos ao país até à crise financeira. Em 2009, o então vice-presidente do BEI, Carlos Costa, hoje governador do Banco de Portugal, dizia que o país era o maior cliente per capita do banco europeu.
Questionado pelo i sobre os números, fonte oficial do BEI escusou-se a revelar mais dados para além dos que já são públicos. A Moody's diz que a maior exposição a Portugal está concentrada no sector empresarial, com 58%, onde estarão incluídas as concessionárias de auto-estradas, como a Brisal, que está em situação de incumprimento.
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