Parlamento debate medida que, afinal, ninguém conhece
Debate aceso, esta tarde no Parlamento. Em causa estão os eventuais cortes nas pensões de sobrevivência com a oposição a tentar saber mais sobre uma medida sobre a qual quase ninguém sabe nada.
O debate começou com o deputado Jorge Machado do PCP a questionar a legitimidade dos partidos do Governo para "descontarem aquilo que as pessoas já tinham descontado".
"Preparam-se para roubar 100 milhões de euros a um direito adquirido pelos pensionistas", afirmou o parlamentar comunista.
Pouco depois, Mariana Aiveca do Bloco de Esquerda voltou à carga acusando os partidos que suportam o Governo de "tomarem medidas superiores à TSU dos pensionistas", acusando mesmo PSD e CDS-PP de "expropriação" e "terrorismo".
Em defesa dos cortes nas pensões pagas a viúvos e viúvas, esteve João Almeida, do CDS-PP, que não satisfez a curiosidade da oposição, acusando-a de demagogia.
"Ao contrário do que disse o PS, não se cortará a medida [pensão de sobrevivência] a todos os que ganhem pouco mais de 600 euros", disse João Almeida, confirmando o valor já referido por Paulo Portas em reação à notícia avançada dia 6 de outubro pela TSF.
Em resposta a Mariana Aiveca, o deputado centrista referiu ainda que as pensões de sobrevivência excedem em 800 milhões de euros os descontos feitos pelos portugueses.
"Só na pensão de sobrevivência há um défice de 700 milhões de euros", disse João Almeida.
A intervenção do Partido Socialista ficou a cargo do antigo ministro do Trabalho e Solidariedade Social, José Vieira da Silva, que classificou o corte nas pensões de sobrevivência como uma "proposta incompetente e imoral" que "provocou o terror a instabilidade" entre os pensionistas.
"Há limites para a decência em política mas este Governo não os conhece", disse o deputado socialista.
As palavras de Vieira da Silva despertaram, finalmente, o PSD que até então tinha permanecido mudo e quedo.
"Não é sério vir falar de uma medida que não conhecemos em concreto", constatou a deputada social-democrata, Clara Marques Guedes.
Na segunda-feira, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse aos jornalistas que o corte nas pensões de sobrevivência não tinha sido referida a 3 de outubro, durante a conferência de imprensa onde foram apresentados os resultados da 8.ª e 9.ª avaliação da troika, "porque o desenho em concreto da medida não estava terminado".
Este rapazola do CDS gosta de se fazer de sonso e dos portugueses parvos. APRENDEU COM O CHEFE PORTAS.
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