sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Sondagens valem o que valem e só valem para o momento em que são feitas. Mas as sondagens que o Expresso e a SIC têm vindo a realizar sobre as eleições autárquicas são preocupantes para o Partido Socialista.
As eleições autárquicas têm especificidades que obrigam a uma leitura cuidadosa. Mas, em qualquer caso, são utilizadas pelos eleitores para punir governos cujas políticas contestam.
Ora se há Governo que tem conduzido políticas particularmente duras para os portugueses é o atual. Por força do memorando do entendimento que o país assinou com a troika, pelas suas próprias convicções, pelo que seja, ninguém negará que as atuais políticas são particularmente impopulares, com o desemprego acima dos 17% e o fisco a roubar mais de 10 mil milhões de euros em três anos ao rendimento das famílias.
Seria, por isso, de esperar que as próximas eleições autárquicas colorissem de rosa o país. Mas surprendentemente não é isso que as sondagens indicam. Por exemplo, em Santarém, município que o anterior presidente, Moita Fores, abandonou a meio do mandato, onde o desemprego é dos mais elevados do país e a Câmara das mais endividadas, o candidato do PSD não só ganha como a única dúvida é se ganha com maioria absoluta.
No Porto, apesar de um independente, Rui Moreira, apoiado por muitos e influentes sociais-democratas e da oposição clara do ainda presidente da Câmara, Rui Rio, ao candidato do PSD, o certo é que Luís Filipe Menezes se prepara para vencer folgadamente na cidade invicta, com o candidato do PS a ficar na terceira posição.
O PS corre ainda o risco de perder dois dos seus bastiões, Braga e Guarda, para o PSD. E à esquerda também Évora pode fugir das mãos dos socialistas para as dos comunistas. Aliás, é bem provável que a CDU registe uma forte subida nas eleições autárquicas.
Posto o que resta a inevitável pergunta: é tudo isto mérito dos candidatos do PSD ou demérito dos candidatos, da estratégia e da liderança dos socialistas? Cada um escolhe a resposta que quer. Mas que algo vai muito mal no reino da rosa, ai isso vai. 
DR. NICOLAU SANTOS-EXPRESSO)
 
VAI MAL VAI. QUANDO O PS ACORDAR VAI SER MUITO TARDE.

"Doenças do Regime Democrático" by Paulo Ferreira da Cunha

"Doenças do Regime Democrático" by Paulo Ferreira da Cunha

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Lisboa corta cuidados nos centros de saúde

Administradores de 45 unidades acusam tutela de exigir poupança que ameaça a "qualidade" e a equidade" da assistência.
Vera Lúcia Arreigoso
Um grupo de 45 Unidades de Saúde Familiar da Grande Lisboa acusa os responsáveis da Administração Regional de Saúde (ARS) da região de exigir uma "redução de custos para níveis que podem colocar em causa a qualidade, a segurança e equidade dos cuidados prestados".
Numa carta aberta enviada à Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), os responsáveis denunciam que a ARS de Lisboa faz a "imposição de que 'todas as metas devem ser negociadas com valores de melhoria em relação ao realizado em 2012', independentemente de critérios de racionalidade".
É ainda referido o incumprimento do prazo de negociação dos cuidados a assegurar à população em 2013, expirado no fim de maio, e a imposição de "regras de contratualização sem fundamentação técnico-científica" e "incoerentes com as emitidas pela Administração Central do Sistema de Saúde".
Representando 801.323 utentes e 993 profissionais, os coordenadores das 45 Unidades de Saúde Familiar exigem agora respostas às entidades responsáveis, incluindo o Ministério da Saúde" para "evitar e impedir os múltiplos atropelos que são denunciados", explica a direção
 
COM TANTOS CORTES ONDE ISTO IRÁ PARAR? 

Procuradores dos EUA acusaram dois ex-responsáveis do JPMorgan de tentar ocultar perdas com ‘trading' em operações que geraram prejuízos de 6,2 mil milhões de dólares.
Javier Martin-Artajo, antigo responsável com funções de supervisão da estratégia de ‘trading' na unidade do banco norte-americano em Londres, e Julien Grout, um operador de mercado que trabalhava com ele, foram acusados de falsificação de balanços e registos, de fraude electrónica e de apresentação de documentos falsos, segundo a queixa no tribunal federal de Manhattan, em Nova Iorque.

Segundo a queixa hoje apresentada, estes dois ex-responsáveis do banco estiveram envolvidos num esquema de falsificação de documentos apresentados às autoridades entre Março de 2012 e Maio de 2012.

Jamie Dimon, o CEO do JPMorgan, caracterizou as perdas de 6,2 mil milhões de euros com a actividade nos mercados do ‘trader' Bruno Iksil, conhecido como a ‘Baleia de Londres' devido ao seu pesado portefólio de investimentos, como "a mais estúpida e embaraçosa situação em que esteve envolvido".

Bruno Iksil tem, de resto, ajudado o FBI e os procuradores na investigação, num acordo com o governo para obter clemência, adiantaram três fontes próximas do processo à Bloomberg.

ISTO SÃO AS GRANDES JOGADAS DOS BANCOS

Portugal sai da recessão com crescimento de 1,1% no segundo trimestre


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Crescimento das exportações e quebra menos acentuada do investimento suportam crescimento do PIB face aos três primeiros meses do ano.
Juntamente com Joaquim Teixeira foram pronunciados por corrupção activa os donos de duas clínicas de Paços de Ferreira e Vizela, Florêncio Dias Neto e Valentim Dias Neto. Os três empresários vão ser julgados, em data ainda desconhecida, por terem feito pagamentos, nomeadamente em dinheiro, automóveis e telemóveis, a dois funcionários da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS), que se sentarão também no banco dos réus, acusados de corrupção passiva.
Em contrapartida dos pagamentos que lhe eram feitos, Maria Lúcia Correia e Pedro Silva e Sousa, respectivamente coordenadora de serviços e assistente técnico da ARS, forneciam informação confidencial às duas clínicas da PMV (Valongo e Lordelo) e às duas de Paços de Ferreira e Vizela, favorecendo-as por diversos meios e em detrimento das empresas concorrentes. Por esse motivo ambos foram demitidos das suas funções já há vários anos, na sequência dos processos disciplinares que lhes foram instaurados.

UMA TEIA COMPLICADA.


Resgatados podem ir à bancarrota

Metade dos incumprimentos desde 1983 foram precedidos por um programa de assistência do FMI. Mas a bancarrota só aconteceu em 16,4% dos programas.
Jorge Nascimento Rodrigues
"Metade dos incumprimentos de dívida soberana desde 1983 foram precedidos por um programa do Fundo Monetário Internacional (FMI) nos dois anos anteriores ao default. Desde 2000, esta percentagem passou para 70%", refere um estudo da agência de notação Moody's, hoje divulgado em Nova Iorque.
Moral da história: mesmo países com intervenções do FMI enfrentam riscos elevados de bancarrota em virtude das suas vulnerabilidades de longo prazo. Elena Duggar, especialista da Moody's em risco soberano, explicou que "os programas de apoio nem sempre são suficientes para eliminar o elevado risco de bancarrota associado a essas condições". Os países assistidos financeiramente pelo FMI podem ir à bancarrota, mas, na esmagadora maioria dos casos nos últimos trinta anos, não foram, como, também, refere o estudo da Moody's.

Os casos de bancarrota são uma minoria


No período entre 1983 e 2012, verificou-se que, num horizonte de cinco anos, entraram em bancarrota 16,4% dos casos em que funcionou um programa de assistência do FMI, segundo o estudo "IMF Program Participation Underscores Medium-Term Sovereign Credit Challenges", publicado na série de estudos de investigação da agência sobre bancarrotas. Ou seja, na maioria dos casos não ocorreu um evento de crédito na sequência do programa do FMI, pelo que a atuação do Fundo foi eficaz na redução do risco de incumprimento. E, nos casos em que acabaram por se verificar incumprimentos, a atuação do Fundo permitiu reduzir o impacto macroeconómico da bancarrota, fornecendo financiamento e apoiando um processo de reestruturação de dívida mais "ordeiro", acrescenta o estudo.
No período em análise, a taxa média de incumprimentos de dívida soberana num horizonte de cinco anos em países sujeitos a um programa do FMI nos dois anos anteriores foi mais do dobro da verificada nos casos sem intervenção do Fundo (16,4% contra 8%).
Esta correlação entre bancarrotas e programas de assistência do FMI deriva do facto de que estes países viveram processos de crise complexos em que se misturam crises bancárias, sobre-endividamento, estagnação económica crónica e fraquezas institucionais, diz a agência. Dado este nível de correlação histórica, a Moody's tem por regra de precaução manter notações de dívida especulativa (classificação da dívida como "lixo financeiro") aos países com programas de assistência do FMI. Deste modo, a Moody's mantém a notação de crédito de C para a Grécia (situação de incumprimento), de Ba3 para Portugal (um nível à beira de dívida altamente especulativa), de  Ba1 para a Irlanda (o nível menos grave de dívida especulativa) e para a Hungria (que, esta semana, antecipou o pagamento da dívida em falta ao FMI, de modo a cancelar o programa de assistência e terminar o relacionamento com o Fundo).
O estudo da Moody's abrangeu 168 países no período de 1983 a 2012, tendo-se verificado 131 instâncias em que ocorreu incumprimento de dívida no caso de 84 países. No mesmo período, realizaram-se 632 acordos de apoio por parte do FMI em 114 países.
 
A RECEITA DO FMI ESTÁ ERRADA E JÁ TODA A GENTE PERCEBEU PORQUÊ.

O PIB português cresceu 1,1% no segundo trimestre, face ao trimestre anterior
O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, considerou hoje que os dados "ligeiramente mais positivos" sobre o crescimento da Europa são "bem-vindos" e disse esperar que não haja autoelogios a sugerir que a crise acabou.
De acordo com dados do gabinete estatístico da União Europeia, o Eurostat, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,3% em cadeia na zona euro e na UE, acima das expetativas do mercado.
Além disso, a economia portuguesa, segundo o INE, cresceu 1,1% entre abril e junho, face ao trimestre anterior.
"Sim, estes dados ligeiramente mais positivos são bem-vindos - mas não há margem para qualquer complacência", afirma o comissário europeu no seu blogue.
"Espero que não haja prematuras declarações de autoelogios a sugerir que a 'crise acabou'", alertou Olli Rehn.
O comissário europeu manifestou-se cauteloso, uma vez que há " ainda obstáculos substanciais para ultrapssar", adiantando que "os números de crescimento ainda continuam fracos" e que os sinais preliminares "ainda são frágeis".
Rehn lembra que ainda há diferenças importantes entre os Estados-membros e que países como a Espanha e a grécia "ainda têm uma inaceitável taxa elevada de desemprego", nomeadamente entre os jovens, o que cria "riscos reais de uma geração perdida".
Para Olli Rehn, há "ainda um longo caminho a percorrer".

MUITA PRUDÊNCIA NA ANALISE DOS RESULTADOS DE UM TRIMESTRE.
SERIA BOM PARA PORTUGAL SE ESTE CRESCIMENTO FOSSE SUSTENTÁVEL, MAS NÃO É.
AS EXPORTAÇÕES CRESCERAM EM MAIO COM OS REFINADOS DA GALP QUE TEM POUCO VALOR ACRESCENTADO.
COM OS CORTES QUE AÍ VIRÃO O DESASTRE VAI CONTINUAR.
A lei de limitação de mandatos está a baralhar como nunca os tribunais: alguns permitem a candidatura de autarcas com mais de três mandatos, outros não. Mas nenhum tem produzido decisões tão díspares e diametralmente opostas como o lisboeta: os juízos cíveis da capital já tomaram três posições diferentes sobre a candidatura de Fernando Seara à Câmara de Lisboa.
Primeiro, ainda em Março, o primeiro Juízo Cível declarou que o candidato do PSD estava impedido de se apresentar a votos. Depois, o mesmo juízo declarou-se incompetente para se pronunciar. Ontem, o quinto Juízo deu finalmente luz verde a Fernando Seara, já em sede eleitoral.

Esta posição do tribunal lisboeta fornece jurisprudência que poderá, assim, ser útil quer a Fernando Seara, quer ao Movimento Revolução Branca e Bloco de Esquerda, que impugnaram esta candidatura, entre muitas outras. A decisão do quinto juízo cível, que abre caminho a Seara, foi conhecida ao final da tarde de terça e confirmada ao Negócios por Pedro Soares, coordenador autárquico do BE. Motivos? "Sinceramente é um bocado estranho, não consigo perceber qual é que foi a base jurídica", admite o bloquista. O documento não foi disponibilizado.

A contestação dos chamados "autarcas dinossauros" entrou na segunda fase, com o fim do prazo legal para os candidatos apresentarem as respectivas listas no tribunal de comarca. E como seria de esperar já foram produzidas diferentes decisões em resposta às impugnações apresentadas pelo Bloco de Esquerda: na Guarda, em Castro Marim, em Tavira e Alcácer do Sal, os juízes entenderam que os candidatos não podem ir a votos. Mas em Beja, Évora e Lisboa, a pretensão do Bloco não foi atendida.

Decisões só a 9 de Setembro

Em Lisboa, o Bloco já anunciou que vai reclamar da decisão do tribunal, tal como nos municípios em que a decisão não foi favorável. O PSD fará o mesmo nos locais em que os seus candidatos foram impugnados. A reclamação só admite recurso para o Tribunal Constitucional, que tem até 9 de Setembro para se pronunciar sobre estes casos.

Além dos candidatos às câmaras, também estão a ser impugnados vários candidatos a juntas de freguesia. Em Silves e Albufeira foram ontem rejeitadas três candidaturas do PS e do PSD. Na Feira e em Gaia também houve várias rejeições.

É O PAIS QUE TEMOS E OS POLITICOS QUE NÃO QUISERAM CLARIFICAR A LEI.


O tribunal de Lisboa rejeitou a impugnação da candidatura de Fernando Seara à Câmara de Lisboa que havia sido pedida pelo Bloco de Esquerda.


Esta decisão surge no mesmo dia em que o tribunal de Oeiras julgou inelegível a candidatura de Isaltino Morais à presidência da Assembleia Municipal deste município, mas declarou elegível o candidato do PSD Francisco Moita Flores.
O Bloco de Esquerda já anunciou que vai recorrer da decisão do tribunal relativa a Fernando Seara.
No despacho, a que a agência Lusa teve acesso, o 5.º Juízo Cível de Lisboa considera que, não sendo o requerente da impugnação -- Ricardo Robles, candidato do BE à Assembleia Municipal de Lisboa -- candidato à câmara ou mandatário de qualquer das candidaturas, "não tem legitimidade para suscitar o incidente em apreço".
O juízo cível entende, assim, que, não sendo Ricardo Robles "opositor do impugnado", a impugnação apresentada à candidatura de Fernando Seara não deve ser deferida.
No mesmo documento, lê-se que este juízo se "dispensa de equacionar a dependência que possa existir entre o procedimento" com origem numa providência cautelar interposta pelo Movimento Revolução Branca (MRB) para impedir a candidatura de Seara a Lisboa, com base na lei de limitação de mandatos, e que aguarda a decisão do Tribunal Constitucional, "e este processado".

A DIREITA DEITOU FOGUETES ANTES DE TEMPO. VAI TER DE ESPERAR PELO TC.
Acordo “Juntos Fazemos Lisboa” não pode ser usado nos boletins de voto, mas PS mantém apoio dos independentes. PSD fala em “fraude”.
A candidatura de António Costa a Lisboa não vai poder candidatar-se sob a designação "Juntos Fazemos Lisboa", que representa o acordo que o autarca do PS tem com os movimentos independentes de Helena Roseta e José Sá Fernandes.
Os socialistas assumem que se trata apenas de uma "determinação da própria lei, que não permite coligações entre partidos e movimentos dos cidadãos", mas que tal facto nada muda nos apoios de que dispõe António Costa.
O PSD, no entanto, fala em "fraude" e acusa os socialistas de "iludirem os lisboetas", ao apresentarem uma candidatura sob o signo "Juntos Fazemos Lisboa", quando ela tem oficialmente uma designação diferente.
A decisão do 5º Juízo Cível de Lisboa, a que o Diário Económico teve acesso, determina que a denominação da candidatura de António Costa tem que ser "exclusivamente Partido Socialista, não integrando qualquer outra expressão, designadamente slogans eleitorais".
Mas o director de campanha de Costa explica ao Diário Económico que esta decisão decorre "de um pedido do próprio PS", que quis apenas clarificar que se trata de "uma lista do partido, com independentes, e não de uma coligação".
Duarte Cordeiro lembra que "a lei não permite coligações entre partidos e movimentos de cidadãos", mas que esse facto não significa qualquer mudança na lista de António Costa, que mantém intactos os apoios do Movimento Cidadãos por Lisboa, com Helena Roseta candidata a presidente da Assembleia Municipal, e de José Sá Fernandes, da Associação Lisboa é Muita Gente.
O PSD/Lisboa promete, ainda assim, não calar a indignação, acusando a candidatura de Costa de "encher a cidade de cartazes com os vários símbolos da suposta coligação, quando a candidatura aprovada pelo tribunal é outra".
Mauro Xavier, mandatário da candidatura de Fernando Seara a Lisboa e presidente da concelhia do PSD na capital, sublinha ao Diário Económico que "se trata de uma fraude, uma vez que Costa andou a assinar coligações e a apresentar a candidatura Juntos Fazemos Lisboa, quando as pessoas vão afinal apenas votar numa lista do PS que integra independentes".

"FRAUDES" SÃO VISTAS POR ESSE PAIS FORA ONDE OS CANDIDATOS DO PSD ESCONDEM O SIMBOLO DO PARTIDO PARA ENGANAR OS ELEITORES.
"FRAUDES" SÃO AS CANDIDATURAS COM MAIS DE 3 MANDATOS QUE NÃO QUISERAM CLARIFICAR NO LOCAL PRÓPRIO.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Marco António Costa, no Porto, e Teresa Leal Coelho, em Lisboa, são tidos como alternativas.
Teresa Leal Coelho em Lisboa e Marco António Costa no Porto são vistos como as alternativas para as autárquicas na eventualidade do Tribunal Constitucional chumbar as candidaturas de Fernando Seara e Luís Filipe Menezes às duas maiores autarquias do país. Para já, garantido é que todos os social-democratas irão recorrer das decisões de impugnação.
"O PSD sempre entendeu, bem como o PS e o PCP, que esta lei se aplicava aos territórios e não à liberdade de poder concorrer a outra autarquia. Por isso, os órgãos nacionais, bem como distritais e locais, estão preparados para reagir, contestando [a decisão] nos locais próprios", referiu ao Económico Pedro Pinto, coordenador autárquico social-democrata e presidente dos Autarcas Social-Democratas, garantindo que serão utilizados "todos os instrumentos jurídicos à disposição".
[CORTE_EDIMPRESSA]
No entanto, e mesmo convencidos de que, no limite, o Tribunal Constitucional dará luz verde às candidaturas dos ex-autarcas de Gaia e Sintra às cidades vizinhas, entre os social-democratas começam a ser testados nomes alternativos.
Em Lisboa, a presença de Teresa Leal Coelho, vice-presidente do partido, como número dois na lista de Seara é vista como um sinal claro de que será a sua substituta natural. No Porto, onde a posição é ocupada por Alberto Amorim Pereira - secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo do bloco central e antigo vice-presidente do PSD - o nome que tem circulado entre a direcção do PSD é o de Marco António Costa.
Depois do abandono do cargo de secretário de Estado da Segurança Social, Marco António Costa foi promovido a coordenador permanente da comissão política nacional dos social-democratas, podendo agora ser chamado a um novo desafio no caso de Luís Filipe Menezes ser considerado inelegível pelo Tribunal Constitucional.
Certo é que, com as eleições marcadas para 29 de Setembro, os prazos para eventuais substituições serão apertados. Chamado ao processo, o TC terá dez dias para se pronunciar, sendo que em caso de proibir as candidaturas, os mandatários das candidaturas terão apenas três dias para apresentar as alternativas.
PARECE UMA BRINCADEIRA DE MIUDOS.

Maria Luís Albuquerque: ou se demite ou mata o novo ciclo de Passos Coelho!

João Lemos Esteves
E Pais Jorge lá teve o bom senso de se demitir. Após a humilhação do briefing ao lado com Pedro Lomba e Leitão Amaro, Pais Jorge foi empurrado do Governo (embora a vontade de Passos Coelho, que é sempre muito lento a perceber o que se passa politicamente em seu redor), emitindo um comunicado verdadeiramente delirante sobre a comunicação social e as campanhas de linchamento público. O Sr. Pais Jorge deveria ter a lucidez de perceber que havia um nítido conflito de interesses entre a sua actividade passada no Citigroup e a sua nomeação para Secretário de Estado do Tesouro - caso fosse uma pessoa minimamente lúcida, deveria declinar o convite de Maria Albuquerque e Passos Coelho. O Governo, na pessoa de Passos Coelho, deveria ter a inteligência política mínima e o decoro de não convidar para uma pasta tão sensível em época de austeridade alguém que beneficiou dos esquemas nada transparentes (para ser simpático!) de ocultação da dívida pública do Governo José Sócrates! É que, mais uma vez na vida política portuguesa, a bota não joga com a perdigota: então Passos Coelho culpa sistematicamente o Governo PS de José Sócrates pela política financeira desastrosa e promete fazer diferente. No entanto, para essa política diferente de Passos Coelho, o Primeiro-Ministro vai buscar gente que "vendeu" os serviços financeiros e jurídicos ao Primeiro-ministro mais lunático que Portugal já teve! Não pode o PSD acusar o PS de ceder aos grandes interesses financeiros durante a sua governação e depois, não só ceder, como também incluir os representantes desses interesses no elenco governativo! É (mais) uma mancha na credibilidade deste Governo, que já se percebeu que não tem e não terá força política para implementar qualquer política estrutural que seja - por culpa própria exclusivamente! O mais impressionante é constatar que Passos Coelho e sua companhia não percebem que episódios destes são absolutamente destrutivos para a percepção que a opinião pública tem do Governo e da sua capacidade para enfrentar os graves problemas de Portugal. Bem pode falar Passos Coelho e Poiares Maduro de novo ciclo político - a fraqueza política deste Governo continua presente e nítida, ficando-se com a sensação que não conseguirá sequer cumprir a legislatura....
Dito isto, a demissão de Pais Jorge não resolveu problema nenhum - apenas o disfarçará durante alguns dias. O dossiê "swaps" vai continuar na ordem do dia e a ferir o Governo Passos Coelho. É que a ligação principal aos contratos, a responsável política por todo este filme em primeira linha é Maria Luís Albuquerque - e essa, segundo Passos Coelho, é intocável. Vai continuar até ao fim da linha política de Passos Coelho: primeiro, porque Passos Coelho não quer demitir do Governo uma sua grande amiga, como já fez com Miguel Relvas; depois, porque é uma assunção implícita de culpa e reconhecimento de incompetência política atroz um mesmo Governo demitir duas vezes o seu Ministro das Finanças! Seria recuar aos tempos do Guterrismo! Contudo, a não demissão de Maria Luís Albuquerque inviabiliza à partida qualquer hipótese de êxito do Governo Passos Coelho: o "fantasma" swap e CitiGroup vai persistir, vai perseguir o percurso político da Ministra das Finanças. De forma avassaladora e brutal! Maria Luís Albuquerque está de tal forma fragilizada que Paulo Portas, Poiares Maduro e Pedro Lomba a impediram de escolher um Secretário de Estado do Tesouro! Portanto, o braço direito da Ministra vai ser escolhido a três - o que significa que mesmo dentro do executivo já poucos, muito poucos, confiam na Ministra...Pode esta senhora ser o rosto da credibilidade das finanças públicas nacionais? Exigir aos portugueses sacrifícios, impondo uma política de austeridade? Não pode! Passos Coelho está, pois, com um dilema em que qualquer solução que escolha sairá perdedor, será negativa para a sua força política. Agora, qual é o mal menor? O mal menor, neste momento, substituir Maria Luís Albuquerque! Ou então a própria Ministra deveria ter a humildade democrática e o sentido patriótico de colocar o seu lugar à disposição!
Sugestão de leitura:
O novo livro de Pedro Adão e SIlva, "Agora", publicado pela Matéria-prima edições. Um bpom livro de reflexões sobre vários temas da vida política e social portuguesa - destaco o capítulo sobre o papel dos tribunais na vida política e as críticas á judicialização da política. António José Seguro, líder do seu Partido e seu amigo, deveria ouvi-lo.... 
Email: politicoesfera@gmail.com