segunda-feira, 26 de maio de 2008

EXPRESSÕES CORRENTES

FALAR DE ORÁCULO

Diz-se de quem não clarifica o seu pensamento, preferindo falar sibilina e misteriosamente.
A alusão relaciona-se com os oráculos da mitologia clássica. Os mais célebres foram os de Delfos, Mileto, Ámon, Pafos, Micenas, Cólquida e Epidauro, entre os Gregos. Os oráculos divulgavam a vontade dos deuses ou anunciavam o futuro de diferentes modos. Para obter a informação do oráculo era preciso, umas vezes, suportar muitas formalidades preparatórias, como jejuns, sacrifícios, lustrações, etc.; outras, o consultante obtinha uma resposta imediata mal os consultava. Em ambas as situações, a ambiguidade era uma das características comuns às predições oraculares e esse duplo sentido era-lhes, obviamente, favorável. Curiosamente, a frase usa-se numa variante, «falar como um oráculo», e aí significa o oposto, isto é, falar com segurança, com certezas, com conhecimento de causa.

In Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves

3 comentários:

Anónimo disse...

Ambiguidade. Eis a pedra-chave para todas as previsões. Do género: se fores pela combinação certa, ganhas o Euromilhões; se fores pela combinação errada, não ganhas.

Eu, falando da chave certa do Euromilhões, gostava, por uma única vez (numa semana de jackpot, de preferência) de aprender a «falar como um oráculo». Alguma alma caridosa dá uma ajuda? Dão-se alvíssaras...

Anónimo disse...

Onde posso, hoje em dia, consultar um oráculo? Também gostava de saber do Euromilhões.

R. da Cunha disse...

Meus caros, vão para a bicha (fila, se preferirem). E à minha frente, para consultar um dos mais respeitáveis oráculos, encontram-se centenas (milhares?) de outros interessados. Não vão à procura de charlatães, que é perda de tempo e gasto de dinheiro.
Mas se virem bem, por cá há muitos oráculos dedicados à política, que dizem hoje aquilo que contextualizam amanhã, isto é, afirmam que não foi bem isso que disseram, pois que, etc. e tal.