editorial
Mais um tropeção na linguagem?
A ideia tinha potencialidades. Manuela Ferreira Leite, ao assumir-se disponível para um governo de bloco central, estava a dar uma golpada no voto útil, a aumentar a imagem de credibilidade e seriedade - o momento é difícil -, a dizer ao País que ele é mais importante do que as politiquices. Seria raro um líder candidato a primeiro-ministro fazer a avaliação das circunstâncias antes das circunstâncias. Mas poderia ser um golpe de mestre. Uma atitude inusitada para tempos inusitados. Perigosa, e por isso mesmo ainda mais atractiva.
Uma atitude que seguiria o espírito das palavras de Cavaco Silva, que, no sábado, 25 de Abril, apelou à responsabilidade de todos nestes momentos difíceis. Já na altura, nas reacções ao discurso, ainda no Parlamento, Ferreira Leite disse concordar com as palavras do Presidente.
Estamos a falar no condicional por uma questão de respeito. Porque Ferreira Leite desmentiu-se. Disse que não queria dizer aquilo que parece claramente dizer na entrevista. Na entrevista a Mário Crespo, Ferreira Leite respondeu afirmativamente à pergunta sobre o bloco central, ou seja, a uma coligação governamental com o PS. Todos o ouvimos. Depois, desconhece-se o que se seguiu. Mas certo é que Manuela Ferreira Leite acabou por desmentir o que dissera, ainda antes da entrevista ir para o ar. A SIC passou um pequeno excerto que a líder do PSD desmentiu em declarações à Lusa, dizendo que tinha sido mal interpretada. Ora aqui não há interpretação possível: aquelas foram as suas palavras. Pode ela ter-se expressado mal. Mas, ao fim de todo este tempo à frente do partido, Manuela Ferreira Leite já devia saber que cada palavra tem de ser ponderada. Não foi a sua primeira entrevista, devia ter suficiente traquejo para não sugerir más interpretações.
Ou, talvez, o que Ferreira Leite teria a fazer era seguir o seu instinto político que parecia estar bem alerta naquela resposta. E não ouvir os arautos da ordem natural das coisas. Nem mesmo os do seu partido.
A lei foi publicada em 2007 e - espantemo-nos todos! - foi posta em prática. Alto dirigente da função pública que não procedesse, por incapacidade, desleixo ou obstrução, à avaliação devida aos seus subordinados teria o seu lugar em risco. Num país, no qual uma lei é tantas vezes interpretada como uma vaga recomendação, sem tradição de avaliação séria e exigente seja do que for, muito menos do desempenho laboral, é uma grande notícia a demissão das suas funções de liderança de dez quadros superiores do aparelho central do Estado. É uma acção com alto valor de exemplo, para que os serviços e quem os dirige levem muito a sério a promoção do mérito dos seus subordinados.
E, para que estes confiem que um sistema justo e equilibrado de avaliação do desempenho num conjunto tão complexo e díspar, como é o dos serviços estatais, também tem de passar pela avaliação dos serviços como um todo, caso a caso, bem como da acção de quem os dirige.
Com consequências, em vez das tradicionais desculpas
3 comentários:
subscrevo...mas infelizmente vai tirar a Maioria so PS...ou o PS inverte a lógica das PROMESSAS...o PAIS ESTÁ CANSADO...MEDIDAS, especialmente nas classes mais desfavorecidas e na Classe Média!
É caso para duvidar se afinal os períodos de reflexão que tem caracterizado a sua liderança de MFL, não seriam internamentos encapotados. A Srª está claramente a entrar em falência galopante. Que não é uma figura simpática e mediática, isso toda a gente já sabe, mas dizer uma coisa e o seu contrário com a mesma rapidez que um Gestor se esquece da compra de uma empresa em Puerto Rico, é caso para dizer a proximidade a Belém causa amnésia!
E o que me chateia solenemente é que dinheiro dos meus impostos sirva para pagar o negócio da venda de impostos com o CytiGroup e nunca explicado.Primeiro estava em tradução. Depois cai no esquecimento e ninguém diz quanto custa o negócio.
Nunca ouvi a senhora dizer o que fez como ministra da Educação.
Pronunciou-se ontem sobre o Freeport, agora não pode fugir quando lhe falarem dos seus amigos do BPN, BCP, BPP, PORTUCALE, CTT, FURACAO, APITO DOURADO, SUBMARINOS, ACORDO COM OS ESOPANHOIS S/ O TGV e mais que aí virá.
Já era tempo de a senhora ir descansar e goza as reformas que segundo se diz são do Ensino,e outras. Não explicou ainda se continua como consultora do Santander ou será invenção dos jornalistas de investigação que os há por aí agora aos montes?
Vai ter de falar e por tudo em pratos limpos.
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