Ângelo Correia deu uma entrevista a Clara Ferreira Alves, publicada na última revista Única, do Expresso.
Da entrevista, respigo:
"Fiz engenharia Química, com a especialidade de energia nuclear. Não fiz Filosofia por que o meu pai não me deixou. Isso é para piolhosos! Estava a pensar no Pacheco Pereira. Piolhosos e gajos de barba, dizia".
"Gosto é de canhões, submarinos, marujos, araújos, perco a cabeça por essas coisas".
Em Timor colonial: "Fui ter com o Ramos-Horta e perguntei-lhe, você é esquerdista? E o que sabe fazer na vida? Ele disse-me que não era esquerdista e era cameraman. Ai é? Então vem trabalhar comigo para o Centro de Turismo. Para o governador. Ir com ele a todo o lado e filmar. Ainda há na RTP filmes feitos pelo Ramos-Horta".
À pergunta "quem matou a política?," responde: "O cavaquismo. O doutor Cavaco disse que o partido não existe".
E à pergunta "O Cavaco deu cabo do partido?", responde "Completamente. É a frase do eucalipto; sobe para o céu mas seca tudo em volta. A frase é minha, há 20 anos". E acrescenta: "É o mito salazarista de outro modo. Os gajos do cavaquismo não gostam de mim. Disse-lhes isso na tromba".
Mais adiante: "O Sindicato do Ministério Público é dirigido por um militante do PSD, latifundiário no Alentejo". "E há os do PS, a Cândida Almeida". "Utilizam-se meios políticos na justiça, o que é grave. Quando se deixam cair informações, se convidam jornalistas a ir a certos sítios a determinada hora, é agenda política. E o MP devia ser o grande actor do processo penal".
"Hoje, os golpes fazem-se assim. Ninguém consegue meter isto na ordem. Impossível".
"Um jornal viola a decisão do tribunal e diz que se receber a notificação violava à mesma. E ninguém diz nada. Não tem remédio".
"O PC é o peso da Igreja ao contrário. Só há Cunhal porque existia Cerejeira. Fátima e Baleizão, os dois santuários".
"A primeira vez que vi Cunhal foi num comício no Campo Pequeno. Fiquei impressionado. Ele disse: no cimo deste palanque estão 139 anos de cárceres. E eu disse: porra, são os mártires das igrejas. E ele é sumo-sacerdote. Uma religião".
[A festa do 'Avante' é uma grande missa campal]: "É. E os portugueses gostam".
Bom, depois disto, creio que Passos Coelho vai mandar retirar os retratos de Cavaco e de Manuela Ferreira Leite das paredes da sede do partido. E, ou vão para o sótão das velharias, ou envia-as a Paulo Portas, par substituição da de Freitas do Amaral.
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