Ouço, na rádio, pela manhã, que Israel tinha atacado um dos barcos de uma frota dita humanitária que se dirigia para a Faixa de Gaza, havendo mortos e feridos.
Às 13 horas "ligo-me" à RTP 1 para saber mais sobre o assunto. Para surpresa minha, o jornal abriu com a "tomada de posse" de Mourinho como treinador do Real Madrid, o que durou 25 minutos. 25 minutos em televisão e, em especial, num telejornal, é uma eternidade.
As notícias continuaram como já não sei o quê e desisti.
No telejornal das 20 reperte-se o filme: mais 20 minutos de Mourinho e lá para as quinhentas uma notícia breve sobre o "incidente" do barco turco assaltado pelos israelitas.
O que consegui saber por outros meios não é esclarecedor sobre o que se passou, mas o que se passou foi em águas internacionais e usados meios desproporcionados. Os "passageiros" do barco parece que tinham uns machados e uma facas com que procuraram atingir as tropas israelitas que, sem comtemplações, abateram uma dezena e fizeram mais não sei quantos feridos. Aguardo que me informem de que o dito barco (e os restantes) levavam a bordo armamento pesado para entregar ao Hamas.
Começo a estar farto de tantas notícias sobre futebol: é o Mourinho e a selecção. Sobre esta, é o segredo do jogador que, afinal, não vai, é o joelho de um outro que já está bom, os jogadores a dançar ou a tocar música...Parece o vira do Minho. Poupem-me. Deixem a selecção ir para a África do Sul e que esta mostre o que sabe, mas na altura própria...
O assalto ao barco turco não é muito mais importante do que Mourinho e a selecção? Trata-se de um incidente que pode ter sérias repercussões no Médio Oriente, e não só. Não foi por acaso que o primeiro-ministro israelita cancelou a sua viagem aos EUA e ao Canadá. Ele vai ter que se explicar perante o Mundo e justificar a arrogância de Israel, que já cansa.
E a RTP, sempre pressurosa em ouvir os "especialistas", não convidou ninguém que nos explicasse o que se passou no Mediterrâneo oriental? Para mim, pelo que li e até prova em contrário, Israel cometeu mais um acto terrorista e de Estado. Não me venham com as habituais desculpas da sua defesa. O Hamas e companhia não são fiáveis? Não, não são. Mas Israel é suposto ser um Estado de Direito, só que não cumpre as regras internacionais e usa o terrorismo de Estado como arma. Como no caso em apreço, em que, no mínimo, terá havido excesso de "zelo". Israel não pode querer ser comparado à Somália, pois não?
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