Ás exportações portuguesas para a China pesam pouco na nossa balança comercial, se bem que grão a grão enche a galinha o papo. As exportações chinesas para Portugal nem devem constar das estatísticas chinesas. Perguntar-se-á, então, a razão de uma visita de Estado do presidente chinês a Portugal. A China tem subscrito e poderá aumentar a subscrição da dívida soberana portuguesa: o risco é mínimo, o peso na economia chinesa é despiciendo, o juro é óptimo e ficamos agradecidos. Contrapartidas? Defendem alguns que Portugal é a porta de entrada da China nos PALOP e no Brasil. Mas a China precisou da intermediação portuguesa para se instalar em Angola? Sem prejuizo de haver razões comerciais directas, há-as de razões indirectas. Quando o Canal do Panamá terminar as obras que permitam a passagem dos porta-contatores chineses, Sines poderá ser o porto ideal para as descargas de produtos dstinados ao continente europeu, desde que exista uma rede de caminhos de ferro adequados. E se a China se propuser construir essa rede?
A entrada num grande banco português, em que Angola está representada, pode ser uma maneira hábil de entrar no mercado bancário angolano, o que, como é sabido, não é fácil.
Depois, e mais importante, Portugal representa um voto em 27, na UE, que pode ser decisivo em muitas questões UE-China. Portugal vai ter assento no Conselho e Segurança da ONU e um voto em questões importantes para a China pode ser, igualmente, decisivo.
Direitos humanos e idênticas coisas "menores" podem esperar mais uns tempos.
Estenda-se a passadeira vermelha a Hu Jintao.
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