terça-feira, 18 de outubro de 2011

Os profetas das desgraça e as responsabilidades da Esquerda democrática

Já repararam que agora sempre que aparece nos media um comentário de um grande economista, enorme financeiro, empresário de sucesso, comentador inteligente, antigo isto ou aquilo, é para deitar mais achas para a fogueira do apertar do cinto, prever mais cortes, mais ablação de direitos, mais desgraças. Dizer que o que se fez é insuficiente, e que será preciso mais, e mais e mais? Quer dizer, ficarmos com menos, e menos e menos.
Será um comprazimento sado-masoquista, ou vozes que preparam realmente novas desgraças?
Ou será mesmo resultado de visões proféticas, que sempre surpreendem, no porvir, pior e pior? Ou será cálculo racional simples: tudo só pode piorar, portanto, prevejo pioras?
Contudo, quem assim normalmente fala, querendo piores condições para os outros, estaria disponível para abdicar das condições de vida de que realmente auferirá? Não as conhecemos, mas presumimos... cremos que legitimamente, pelo que por aí corre.
Porque será que os sacrificados têm de ser sempre os mesmos? Não é fácil demais clamar por austeridade para os outros, os sacrificados do costume?
Cada vez mais me convenço que nisto tinha razão Bertrand Russell, quando disse (mais ou menos) que os especialistas em finanças e em guerra raramente são pacifistas ou não capitalistas... E cada vez mais me convenço que o grande problema que nos aflige é mesmo o sistema capitalista. Dêem lá as voltas que dêem. É apenas a sua desregulação e intrínseca injustiça, guerra permanente de todos contra todos, em que os pequenos são devorados pelos grandes, que permite os escândalos com que nos vamos resignando...
Já se permitindo que a Constituição seja primeiro esquecida na prática, e depois proclamadamente se reivindica a sua substituição, porque afinal seria utópica. Pudera! As utopias só se realizam quando queremos que se realizem...
E as alternativas? Perante o clamor das ruas, que se arrisca a levar rumos anarquizantes e populistas, de um sinal ou de outro, não tem a esquerda moderada e responsável que se ver ao espelho e encontrar uma prática que protagonize uma nova esperança, como novas propostas?

1 comentário:

Anónimo disse...

Cá para mim, a culpa de todos os nossos males reside na Constituição. Devia ser revista de alto a baixo, condensada numa foha A4, onde o "Grande Princípio" seria o de o governo de turno tomar conta de nós conforme a conjuntura, ouvido que fosse um conselho de estado 'ad hoc', presidido por um trabalhador da estirpe daquele senhor que faz rolhas de cortiça ou pelo outro senhor que colecciona quadros a quem pagamos para pôr a salvo de assaltos.