PIB. Portugal está em recessão há sete trimestres. É o período mais longo desde 1978
Por Ana Suspiro, publicado em 15 Ago 2012 - 03:10 | Actualizado há 7 horas 38 minutos
Para o economista Silva Lopes, a recessão dos anos 80 é pequena comparada com esta
Os dados são mais negativos do que o esperado mas surpreendem pouco. A riqueza produzida em Portugal registou uma queda de 3,3% no segundo trimestre do ano, face a igual período de 2011, de acordo com a estimativa rápida do INE (Instituto Nacional de Estatística).
Em relação aos primeiros três meses do ano, a queda do PIB foi de 1,2%, sendo que é o sétimo trimestre consecutivo que a economia portuguesa encolhe, considerando a evolução em cadeia, o que significa que Portugal está em recessão desde o final de 2010, há 21 meses.
Olhando para as séries longas do INE, este é o período mais longo de recessão em cadeia desde, pelo menos, 1995, ou seja em 17 anos. Mas a duração anormalmente longa desta crise não fica por aqui. As séries trimestrais publicadas no Boletim de Verão do Banco de Portugal permitem recuar até 1978, primeiro ano para o qual existem dados do PIB trimestral descontada a inflação. O resultado é o mesmo. Considerando a evolução em cadeia da riqueza produzida trimestralmente, o ciclo iniciado nos últimos meses de 2010 é o pior desde pelo menos 1978.
Nem na crise dos anos 80, quando houve a primeira intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) na economia portuguesa, a contracção foi tão expressiva. Estes dados não surpreendem o economista Silva Lopes para quem a recessão dos anos 80 é “pequena comparada com esta”. O ex-ministro das Finanças admite até que a actual crise na economia nacional possa até ser a pior desde o final do século XIX, embora para este horizonte temporal só estejam disponíveis estatísticas anuais e não trimestrais.
Na comparação homóloga, este já é o sexto trimestre com o PIB a contrair, e também o período mais longo de retracção pelo menos desde 1996. A queda de 3,3% na riqueza produzida entre Abril e Junho deste ano, face ao mesmo período de 2011, é a mais acentuada desde o primeiro trimestre de 2009, quando por força da crise financeira internacional o PIB nacional afundou 4,1% em termos homólogos.
O comportamento negativo da procura interna é o factor apontado pelo INE para o agravamento da situação económica face ao panorama verificado no primeiro trimestre deste ano.
Ainda não há dados detalhados sobre a evolução de cada componente no segundo trimestre, mas Silva Lopes admite que a situação se volte a degradar devido à subida do desemprego e ao efeito de medidas de austeridade, como a suspensão do subsídio de férias dos funcionários públicos e pensionistas. O economista não vê sinais de inversão desta tendência. “Só se houver um milagre nas exportações”, o que não é provável dado arrefecimento das economias europeias para as quais Portugal exporta, com destaque para a Espanha – as exportações já estão aliás a travar.
Portugal registou a segunda pior performance na União Europeia, só o PIB grego caiu mais no segundo trimestre: 6,2%. Na Europa da zona euro, a riqueza encolheu 0,4%. (i)
Em relação aos primeiros três meses do ano, a queda do PIB foi de 1,2%, sendo que é o sétimo trimestre consecutivo que a economia portuguesa encolhe, considerando a evolução em cadeia, o que significa que Portugal está em recessão desde o final de 2010, há 21 meses.
Olhando para as séries longas do INE, este é o período mais longo de recessão em cadeia desde, pelo menos, 1995, ou seja em 17 anos. Mas a duração anormalmente longa desta crise não fica por aqui. As séries trimestrais publicadas no Boletim de Verão do Banco de Portugal permitem recuar até 1978, primeiro ano para o qual existem dados do PIB trimestral descontada a inflação. O resultado é o mesmo. Considerando a evolução em cadeia da riqueza produzida trimestralmente, o ciclo iniciado nos últimos meses de 2010 é o pior desde pelo menos 1978.
Nem na crise dos anos 80, quando houve a primeira intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) na economia portuguesa, a contracção foi tão expressiva. Estes dados não surpreendem o economista Silva Lopes para quem a recessão dos anos 80 é “pequena comparada com esta”. O ex-ministro das Finanças admite até que a actual crise na economia nacional possa até ser a pior desde o final do século XIX, embora para este horizonte temporal só estejam disponíveis estatísticas anuais e não trimestrais.
Na comparação homóloga, este já é o sexto trimestre com o PIB a contrair, e também o período mais longo de retracção pelo menos desde 1996. A queda de 3,3% na riqueza produzida entre Abril e Junho deste ano, face ao mesmo período de 2011, é a mais acentuada desde o primeiro trimestre de 2009, quando por força da crise financeira internacional o PIB nacional afundou 4,1% em termos homólogos.
O comportamento negativo da procura interna é o factor apontado pelo INE para o agravamento da situação económica face ao panorama verificado no primeiro trimestre deste ano.
Ainda não há dados detalhados sobre a evolução de cada componente no segundo trimestre, mas Silva Lopes admite que a situação se volte a degradar devido à subida do desemprego e ao efeito de medidas de austeridade, como a suspensão do subsídio de férias dos funcionários públicos e pensionistas. O economista não vê sinais de inversão desta tendência. “Só se houver um milagre nas exportações”, o que não é provável dado arrefecimento das economias europeias para as quais Portugal exporta, com destaque para a Espanha – as exportações já estão aliás a travar.
Portugal registou a segunda pior performance na União Europeia, só o PIB grego caiu mais no segundo trimestre: 6,2%. Na Europa da zona euro, a riqueza encolheu 0,4%. (i)
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