"GLOBALIZAÇÃO-A GRANDE DESILUSÃO"
DE JOSEPH E. STIGLITZ
(continuação)
"A liberdade não é para se entender apenas no sentido mais corrente do termo, que a contrapõe à opressão que as políticas podem gerar. É para entender em sentido mais exigente, assente no pressuposto de que a conceção anterior está adquirida. É Stiglitz quem o lembra: "A essência da liberdade é o direito de escolher, aceitando a responsabilidade inerente às opções. Tal conceito implica que os POVOS sejam capazes de escolher entre alternativas: "...os países têm de pensar nas alternativas e de fazer as suas opções através de processos políticos democráticos."
A justiça social, assente na procura da equidade, é outro dos valores que no campo dos principios deve impor-se, sem o que não fará sentido falar-se de DESENVOLVIMENTO. Stiglitz tem vindo a manifestar de forma insistente e consistente, já de longa data, grandes preocupações quanto ao crescimento económico e à sua necessidade, mas em permanente ligação com a distribuição. No seu campo de onteresses assume lugar privilegiado uma visão equilibrada do papel do Estado, ênfase crescente na importância do conhecimento e uma preocupação igualmente crescente sobre a equidade e as inter-relações "equidade-crescimento". Defende ele a prática de um "contrato social" em que o pobre partilhe dos ganhos do crescimento e o rico partilhe também dos custos das crises; e contesta, rejeitando, os principios dos que defendem simplistica e hipocritamente que a melhor forma de ajudar o pobre é fazer a economia crescer. à sua demonstração de situações concretas em que o crescimento trouxe declínio do rendimento real dos mais desfavorecidos (a América dos anos 80, por exemplo) juntariamos nós que, justamente no campo dos principios, a distribuição não deve ficar à espera da criação de mais riqueza.
Tudo isto, de resto, tem a ver com a auto-estima, que sendo valor do Desenvolvimento deve também assumir-se como factor de Desenvolvimento.
A expressão mais viva de degradação da auto-estima está na exclusão de alguns do processo de Desenvolvimento, e o desemprego pode dar ideia da extensão social da exclusão. Ninguém deve ficar arredado de participar na "construção social" ; todos têm o direito de nela se envolverem e nada haverá de mais degradante do que o sentimento de exclusão.Eventuais transferências financeiras sob a forma de subsídios, que importa assegurar, não poderão constituir compensação válida, e casos há em que a sua continuidade e permanência até contribuem gravosamente para a redução da auto-estima."
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