sexta-feira, 7 de setembro de 2012

o livro "GLOBALIZAÇÃO-A GRANDE DESILUSÃO" de JOSEPH E. STIGLITZ, prémio Nobel da economia, serão transcritas algumas passagens de grande atualidade e esclarecimento.

"Sobre a necessidade da Ciencia Economica  não perder de vista o Homem e a realidade envolvente, pode dizer-se que o presente livro é das afirmações mais conseguidas. Com efeito, em muitas circunstancias , particularmente nas posições duras que assume quanto aos métodos e processos utilizados por aquelas instituições internacionais (FMI, Banco Mundial, OMC) é expressiva a critica ao esquecimento das pessoas e à necessidade de considerar a natureza especifica dos casos, isto é, a "realidade concreta". (prefácio à edição portuguesa de António Simões Lopes).

Lê-se num dos passos do livro que temos em mãos: "a insistência do FMI para que estes países (os paises em desenvolvimento) mantivessem políticas monetárias restritivas gerou taxas de juros que inviabilizariam a criação de emprego, mesmo nas melhores circunstancias. E como a liberalização do comércio ocorreu antes de serem tomadas medidas de precaução, aqueles que perderam os seus postos de trabalho foram lançados para uma situação de pobreza. Na maior  parte dos casos, a liberalização não trouxe o crescimento económico prometido e aumentou a miséria. E mesmo aqueles que não perderam os seus postos de trabalho herdaram um forte sentimento de insegurança".

E ainda, de forma não menos expressiva: " o desemprego não deve ser encarado como simplesmente uma estatistica, uma "contagem de cadáveres" económica, um apuramento das vítimas não intencionais da luta contra a inflação... Os desempregados são seres humanos, com familia, cujas vidas foram afetadas, e às vezes destruidas, pelas políticas económicas recomendadas - ou efetivamente impostas, no caso do FMI."

"Este conjunto de preocupações liga-se estreitaMENTE À CONCLUSÃO de que a economia é indispensável na resolução dos problemas sociais, mas tem de ter a humildade de assumir o papel de ciência útil, aceitando ser, como outras, "instrumental" no processo de desenvolvimento; até porque, para além das condições materiais da vida, para além do bem-estar económico, como já se disse, há valores que podem sobrepor-se-lhes: a liberdade, a justiça social, a auto-estima, são necessidades pelo menos tão básicas quanto as que se manifestam na perspetiva mais estritamente económica. Detenho-me brevemente sobre elas, porque são fulcrais na obra de Stiglitz.

(continua".    

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