Barões do PSD voltam costas. Ângelo Correia diz que “falta estudo” a Passos
Por Liliana Valente, publicado em 11 Out 2012 - 03:10 | Actualizado há 16 horas 20 minutos
Social-democrata diz que governo é “o possível” e que deve ser remodelado apesar das dificuldades
À medida que aumenta a austeridade, aumentam as fissuras no seio do PSD e na base política que apoiou Pedro Passos Coelho, quer para a presidência do PSD, quer para a liderança do país. Se de alguns barões do partido é conhecida a antipatia pelas ideias do primeiro-ministro, a verdade é que nos últimos tempos são cada vez mais as vozes que se levantam contra o aumento da austeridade – de Marcelo Rebelo de Sousa a Marques Mendes, passando por Eduardo Catroga ou Ângelo Correia.
Ontem foi a vez de Ângelo Correia – que foi dos principais promotores da candidatura de Passos à liderança do PSD – pedir não só uma remodelação do executivo, mas também de acusar a equipa governativa de falta de estudo. Numa entrevista na RTP2, o antigo patrão de Passos Coelho disse mesmo que este é o governo “possível”: “O governo está fragilizado, quer o PSD quer o CDS, por uma razão que é básica: todo o discurso do PSD e do CDS antes das eleições é outro completamente diferente do feito depois das eleições”. E, para o social-democrata, esta “mudança de discurso dos líderes” dos dois partidos tem uma causa comum: “Falta de estudo e preparação suficiente para serem líderes nacionais. Este não é um mau governo, é o governo possível.”
Mas se Ângelo Correia acredita que este não é o governo de que Portugal precisa, recusa no entanto a hipótese de eleições antecipadas – tal como Marcelo Rebelo de Sousa, que defendeu nos seus comentários na TVI que o executivo de Passos Coelho era a única hipótese. Para Ângelo Correia, a solução também não passa pela formação de um governo de iniciativa presidencial – como tem defendido Mário Soares –, mas sim por uma remodelação dos membros do governo e do “modelo de execução orçamental” que para o social-democrata não tem surtido efeito.
Se, tal como Marcelo e Marques Mendes têm defendido, a remodelação é inevitável e de preferência o mais rapidamente possível, no actual contexto levanta-se um problema: a dis- ponibilidade de quadros técnicos quererem integrar o governo. Isso mesmo disse Ângelo Correia, salientando não só o problema do actual contexto político, como o salário pago aos governantes.
Certo é que já nem Eduardo Catroga, o homem que coordenou o programa de governo de PSD e que negociou em nome do PSD o Orçamento do Estado para 2011, defende o primeiro-ministro como defendia, dizendo mesmo que “houve erros” que “vão ficar para a história”.
DEMARCAÇÃO, GOLPE DE RINS OU GOLPE DE TEATRO?
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