Em Itália, depois de uma profunda auditoria feita ao Estado, descobriram-se preciosidades como a existência de um gabinete destinado a pagar pensões aos sobreviventes da guerra da unificação, que terminou há quase 150 anos. O departamento tinha um diretor, um motorista e mais um par de pessoas que, literalmente, viviam num dolce far niente.
Sinceramente, não sei se a história é totalmente verdade, ou se trata de um mito. De qualquer modo, tenho a certeza de que uma auditoria séria feita aos departamentos estatais de Itália, da Espanha e, claro, de Portugal, encontraria muitos anacronismos, inúmeras duplicações e, muito provavelmente, gabinetes destinados a causas que já nem existem.
Hoje, que está reunido o conselho de ministros para discutir o OE para 2013, era interessante que se colocasse em cima da mesa uma hipótese séria: a de revisitar o monstro que é o nosso Estado, com olhos de ver. Vendo onde há excessos e onde há faltas - que também as há e muitas. Em vez de, como é costume, adicionar ou diminuir verbas em percentagens relacionadas com os orçamentos anteriores, o que na verdade dá de barato, e por inércia, a necessidade de todos (ou quase) os serviços.
Há mais de 30 anos João Salgueiro referia que seria necessário um Orçamento feito na base zero para compreender exatamente o que era necessário e o que era supérfluo no Estado português. Jamais foi feito. Mas hoje, que pedem aos portugueses que paguem uma enormidade para o seu funcionamento, temos de exigir saber o que estamos, realmente, a pagar. Não se trata de discutir no ar se queremos mais ou menos Estado. Trata-se de, para começar, saber que Estado temos e a que funções se dedica.
Talvez, assim, começássemos a matar o monstro.
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MATAR O MONSTRO SIM, MAS PRIMEIRO FAZER O BALANÇO DESDE 1980 PARA OS PORTUGUESES SABEREM QUEM ESTEVE NOS GOVERNOS E QUEM FORAM OS RESPONSÁVEIS DAS FINANÇAS.
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