sexta-feira, 9 de novembro de 2012



9 de Novembro, 2012
Num discurso particularmente duro, António Nóvoa, reitor da Universidade Clássica de Lisboa, questiona o futuro do conhecimento em Portugal e avisa que se está a chegar ao limite dos sacrifícios não só nas Universidades, mas no país.«Não podemos permitir que continuem a dar voltas à tarraxa. Assim, não. Sem decisões corajosas, que não ponham em causa a nossa vida, que não prejudiquem irremediavelmente a nossa energia, poderemos estar perante o colapso das universidades durante o ano de 2013. Amanhã já será tarde», disse António Nóvoa, citando o escritor Miguel Torga, durante uma sessão onde os reitores das universidades portuguesas se juntaram para explicar que o Orçamento do Estado para 2013 deixa o ensino superior numa situação incomportável.
António Nóvoa não quis, porém, falar apenas dos 50% de corte que as universidades sofreram desde 2006 ou da diminuição de 30% do financiamento público dos últimos dois anos. O reitor aproveitou a ocasião para questionar a prioridade do que se que corta no Estado.
«Será que os portugueses querem cortar nos sectores do conhecimento e da ciência onde se promove o que há de melhor na sociedade? Será que os portugueses estão dispostos a desperdiçar o investimento feito nas últimas décadas, resignando-se perante o regresso de uma sociedade da pobreza e da miséria, de um país sem ambição e sem futuro?», lançou Nóvoa, lembrando que o que se está a passar no ensino superior terá reflexos na economia do país.
«O que está em causa não são quaisquer prerrogativas ou privilégios internos às universidades. Não. O que está em causa é a existência de instituições capazes de construir o único caminho de futuro para Portugal».
António Nóvoa sublinhou ainda a importância de encontrar novos caminhos para superar a crise, anunciando que «é possível» que o decreto-lei da fusão que formalizará a fusão das universidades Clássica e Técnica de Lisboa seja «aprovado na próxima semana».
«Aqui, na Universidade de Lisboa, sabemos bem que não há nada pior do que a política do pior. Não estamos acomodados. E, por isso, temos conseguido construir, em diálogo com os nossos colegas da Universidade Técnica de Lisboa, um projecto de futuro para as nossas instituições e para o país», afirmou.
Para o reitor esta é, porém, uma situação que exige uma resposta rápida: «Porque Amanhã já será tarde. O que se passar nos próximos dias pode marcar, por muitos anos, a vida da Universidade de Lisboa. Foi isso que quisemos dizer, solenemente, às 12 horas deste dia 9 de Novembro de 2012».

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