quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ENQUANTO ALGUNS POLITICOS SE VÃOENTRETENDO COM JOGADAS MAIS OU MENOS APALHAÇADAS, VAMOS INICIAR UMA REFLEXÃO SÉRIA, ESTUDADA E DE RESPONSABILIDADE.

Jacques Attali pertence ao top 100 dos intelectuais mais importantes do mundo, de acordo com a revista Foreign Policy. No livro publicado em Agosto de 2010 "ESTAREMOS TODOS FALIDOS DENTRO DE 10 ANOS?" - Divida Publica a ultima oportunidade apresenta uma evolução historica das dividas soberanas até aos nossos dias e apresenta soluções e caminhos.
Hoje transcrevo a introdução ao capítulo 6 - O PIOR CENÁRIO -

"O pior, isto é, a ruína de todos é possível. Em particular, a ruína do Ocidente constitui um cenário credível, um cenário tão pouco antecipado pelo homem de hoje como o foram no seu tempo a ruína de Veneza, de Génova ou de Madrid.
Tal como em muitos outros casos, a desmesura da divida soberana pode ser o despoletar  dessa ruína e ao mesmo tempo o meio pelo qual nos tornamos conscientes da sua iminência: pelos constrangimentos que impõe, ela constitui um principio de realidade.
Como muitas vezes no passado, observamá-lo, muitos dirigentes dos principais países desenvolvidos pensam que aquilo que hoje se prefigura é diferente daquilo que aconteceu no passado em circunstâncias análogas. Na sua opinião, a actual crise irá terminar em breve e a divida soberana retroceder. Segundo eles, a produção mundial está já em retoma, os resultados dos bancos estão a restabelecer-se e o desemprego a estabilizar, pensam que tudo isto deverá permitir aos Estados dos países desenvolvidos recolher as receitas fiscais necessárias, reduzir os seus défices e dividas sem o risco de uma crise de solvência. Estimam que os Estados e os credores tiraram as devidas lições dos seus erros e que, graças às democracias mais sólidas, aos dirigentes políticos mais bem informados e fiscalizados e aos empréstimos contrídos com mais discernimento junto dos mercados financeiros mais sofisticados, o mundo não verá de novo uma grande vaga de suspensão dos pagamentos, pelo menos nos países desenvolvidos. Além disso, dizem, o abaixamento das taxas de juro reduz a nada o custo da divida. De facto, nos EUA, o serviço da divida passou de 4,8% do PIB em 1991 para 2,8% em 2009.
Estas hipóteses não são certamente inverosímeis. Não obstante, o pior é ainda possível, pois a paisagem mundial é hoje deveras inquietante: se a Ásia, a África e a América Latina  se desenvolvem e têm um bom desempenho economico, os governos do Japão, da Europa e dos Estados Unidos gastaram fortunas para evitar provisoriamente uma crise bancária por terem deixado aos financeiros o controlo das suas instituições sem nenhuma regulação séria. A divida pública atinge um nível explosivo e não apenas no espaço da Europa.
Em 2010, o rácio da divida pública, dos países desenvolvidos, relativamente ao seu PIB, é, em média, de 80% nos países mais ricos do G20, não passando de 40% no caso dos países emergentes que são membros do mesmo clube. Se nada mudar, esse rácio não tardará a ser, nos países ricos, igual ao que era à saída da II guerra mundial.
Por outro lado, a interdependencia crescente das economias torna mais dificil confinar as crises modernas, mais dificeis de acantonar do que as do passado: no século XV, Veneza podia ir à falência sem que isso influenciasse a prosperidade das outras nações da Europa, cada uma delas aberta a outros mercados. Pelo contrário, se a Europa entrar hoje em colapso, a América e o resto do Mundo segui-la-ão, num cenário bem pior, que não teremos dificuldade em imaginar se olharmos para a realidade actual.

àmanha será postada a Primeira Parte - O ENDIVIDAMENTO SOBERANO TORNA-SE MAIS PESADO.
Carlos Pinto              

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