Portugal sobe para 5º lugar no "clube" da bancarrota
A probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa subiu para 41,59% e ultrapassou o risco da Venezuela. O prémio de risco fechou em 7,48 pontos percentuais e os juros a sete e dez anos subiram para muito próximo de 9%.
Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
22:24 Segunda feira, 12 de novembro de 2012
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A probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos subiu hoje para 41,59% face a 40,38% no fecho de sexta-feira, segundo dados da CMA DataVision.
Em virtude deste aumento de mais de um ponto percentual num só dia, Portugal subiu no "clube" dos 10 candidatos a uma bancarrota para o 5º lugar, ultrapassando a Venezuela.
No entanto, a diferença entre o risco português e venezuelano é muito pequena, pelo que um sobe-e-desce entre os dois países é provável nos próximos dias.
Recorde-se que a 18 de outubro - dia da última cimeira europeia, que foi inconclusiva - a probabilidade de incumprimento estava em 30,83%, mais de 11 pontos percentuais abaixo do atual nível. Portugal estava, então, na 9ª posição naquele "clube" e com uma trajetória que apontava para a sua saída.
O custo dos credit default swaps (cds, seguros contra o risco de incumprimento) subiu de 415,76 pontos base a 18 de outubro para 495,64 pontos no final desse mês e 618,09 pontos no fecho de hoje.
No mercado secundário, as yields das obrigações do Tesouro (OT) fecharam em alta em todas as maturidades, à exceção do prazo a cinco anos que desceu ligeiramente.
As yields das OT a sete e a dez anos fecharam já muito perto de 9% - em 8,934% e 8,819% respetivamente, segundo dados da Bloomberg. A maturidade a sete anos é o prazo médio residual da dívida. A cinco anos, as yields fecharam em 7,873%, ligeiramente abaixo do fecho de sexta-feira. Nos três casos, as yields estão em níveis muito acima do "limiar" de 7% pressuposto pelo Fundo Monetário Internacional para um "regresso aos mercados em 2013" com emissões de médio e longo prazo.
O prémio de risco da dívida portuguesa subiu para 7,48 pontos percentuais. Trata-se do diferencial em relação ao custo de financiamento da dívida alemã de longo prazo.
O que preocupa os investidores na dívida
As conclusões da 5ª Revisão do programa de ajustamento e as Previsões de Outono da Comissão Europeia sobre Portugal confirmaram a perspetiva de uma continuação da recessão em 2013, com uma quebra do PIB de 1%, e um ano de retoma ligeira em 2014 com um regresso ao crescimento na ordem de 0,8%. Desde 2008 até final de 2013, a queda acumulada da economia portuguesa poderá ser de 7,12% em virtude da crise económica e das políticas de ajustamento.
A dívida pública também continuará a subir em relação ao PIB, com as projeções a apontarem para perto de 124% em 2013 e 2014. Se a recessão for mais prolongada, o nível da dívida poderá facilmente ultrapassar os 130% em 2015, como sublinha o relatório do FMI sobre a 5ª revisão.
Vai ocorrer uma concentração de vencimentos da dívida (em Obrigações do Tesouro e empréstimos da troika) acima de 10 mil milhões de euros anuais entre 2014 e 2016.
Entre 2015 e 2017, já depois de terminado o plano de resgate da troika, Portugal vai ter de se financiar nos mercados em 109 mil milhões de euros.
Um dos factos negativos já registados foi o falhanço da execução orçamental ao longo de 2012, por via da quebra das receitas fiscais; aponta-se para um "desvio" da receita fiscal até final de 2012 na ordem dos 3,3 mil milhões de euros.
No plano político e social, assistiu-se a um aumento da resistência interna ao processo de ajustamento; alguns chamam-lhe "fadiga" da economia real e da sociedade face à austeridade sucessiva. Essa "fadiga" agravar-se-á com a carga fiscal prevista para 2013.
Diversos estudos do FMI têm apontado para um efeito multiplicador recessivo mais agravado no caso dos ajustamentos serem baseados principalmente na obtenção de receitas por via da carga fiscal.
A Comissão Europeia, entretanto, alertou para vários riscos principais:
# As tensões que prosseguem na zona euro;
# O impacto em Portugal da trajetória de recessão em Espanha, cuja projeção é para uma quebra do PIB de 1,4% tanto em 2012 como em 2013. No caso de 2013, essa queda do produto no país vizinho será superior à prevista para a economia portuguesa, que deverá ser apenas de 1%;
# A "retroalimentação adversa" no quadro macro-orçamental, sobretudo por via das receitas fiscais, o calcanhar de Aquiles já verificado em 2012. As projeções fiscais podem ser afetadas por uma deterioração maior do que a esperada na procura interna.
# O impacto na dinâmica das exportações em virtude do abrandamento da economia da zona euro (recessão de 0,4%, na previsão do FMI) e mundial (revisão do crescimento de 3,5% para 3,3%, na previsão do FMI). Para 2013, o FMI reviu, também, as suas projeções em baixa: de 0,7% para 0,2% na zona euro
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SÓ O 1º. MINISTRO E A SENHORA MERKEL QUEREM VER O CONTRÁRIO.
SENHOR PR CHEGOU A HORA DE DIZER QUALQUER COISINHA AO POVO.
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