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05/09/2011
às
19:18
A FAMA DE DIRCEU ATRAVESSA O
OCEANO; REPORTAGEM SOBRE MINISTRO PORTUGUÊS DEDICA UM BOM ESPAÇO AO
ROUBA-HÓSTIA
A mais recente edição da revista portuguesa VISÃO
traz uma longa reportagem — 12 páginas — sobre as ligações, nem sempre muito
claras, entre Miguel Relvas e empresários e políticos brasileiros. Relvas é
ministro de Assuntos Parlamentares de Portugal e pertence ao PSD, um partido
de centro-direita, que venceu recentemente as eleições. Embora o PT, segundo
a sua resolução, esteja empenhado em derrotar o “neoliberalismo”, um dos
grandes amigos de Relvas no Brasil é o “esquerdista”… José Dirceu! Muito bem!
A crítica do “companheiro” à mídia não é gratuita. Aliás, “gratuidade” é uma
palavra que o Zé não conhece. O homem está sempre “trabalhando”.
O objeto da longa reportagem da revista “Visão” é
Relvas, com seus múltiplos tentáculos. Um deles é o grupo de comunicação
português Ongoing, que já chegou ao Brasil. E adivinhem pelas mãos de quem…
Acertou quem disse “Dirceu”.
O busílis é o seguinte: a Ongoing tem um jornal no
Brasil chamado Brasil
Econômico, de que a namorada de Dirceu é administradora e onde
ele é colunista. Oficialmente, os portugueses são donos de apenas 29,9% do
empreendimento. Os outros 70,1% pertenceriam a Maria Alexandra Vasconcellos,
brasileira que é casada com o português Nuno Vasconcellos, presidente do…
grupo Ongoing!!! Entenderam? A Constituição proíbe que estrangeiros controlem
empresas de comunicação no país. E o PT, vejam vocês, escreveu em sua
resolução que quer regulamentar a mídia para fazer cumprir a… Constituição!!!
Uns verdadeiros patriotas! O Ministério Público está investigando o caso.
Esclarecido isso, leiam trechos da reportagem da revista Visão. A fama do
rouba-hóstia já atravessou o “mar oceano”, como diriam os poetas portugueses
de antigamente.
*
(…)
Dirceu está inelegível até 2015 e é o principal visado no caso que começará a ser julgado este ano e conta 36 acusados [mensalão]. Prova de que ainda mexe - e muito -, Dirceu foi capa da revista VEJA esta semana. A revista chama-lhe “O Poderoso Chefão”, título brasileiro para a saga de “Dom Corleone, O Padrinho” e uma forma de ilustrar a sua teia de influências no governo e nas empresas. Dirceu, agora consultor de multinacionais, conhece bem Portugal. E Miguel Relvas. O ministro português recorda tê-lo conhecido “por intermédio de amigos comuns”, sem relações empresariais pelo meio. “Encontrei-o ocasionalmente”, diz.
A revista lembra de uma viagem que Dirceu fez a
Portugal em 2007. No aeroporto de Lisboa, um brasileiro o saudou: “Tem ladrão
na fila”. Segue mais um trecho da reportagem.
À espera de Dirceu [em Portugal] estava João
Serra, dono da construtora Abrantina e sócio do escritório de advogados Lima,
Serra, Fernandes e Associados. Da sociedade fazem parte Fernando Fernandes,
ex-administrador da SLN (BPN) e atual grão-mestre do Grande Oriente Lusitano
(GOL), organização maçônica a que estará ligado Relvas. Outro sócio que
acompanhou Dirceu na estada na capital portuguesa foi Antônio Lamego,
ex-advogado de José Braga Gonçalves no caso Moderna. Segundo Dirceu, Lamego
era amigo do general João de Matos, ex-chefe do Estado-Maior do Exército
angolano. Na época, os três combinaram encontrar-se na Costa do Sauípe, no
Brasil, para tratar de negócios.
Nesses dias lisboetas, Dirceu ficou hospedado no Pestana
Palace. Andou de Jaguar preto, jantou no Vela Latina, bebeu Pera Manca e
disse querer investir em Angola. “Meu interesse é infraestrutura: rodovias,
telefones, telecomunicações.” O consultor do milionário mexicano Carlos Slim
e do magnata russo Berezevosky, falou também da sua atividade: promover
negócios de portugueses no Brasil e de brasileiros em Angola. No dia da
partida de Lisboa, Dirceu adormeceu e teve de correr para o aeroporto:
“Lamentava ter comido muito e bebido duas garrafas de vinho na noite anterior
em companhia do deputado Miguel Relvas, seu amigo há décadas” (…).
No Brasil, apontam a Dirceu ligações à Ongoing. Um
dos links é Evanise Santos, a namorada. Também referida no “mensalão”, é
diretora de marketing do Brasil Econômico, jornal do grupo e da Ejesa,
empresa da mulher do líder da Ongoing. Amiga da presidente Dilma, Evanise foi
coordenadora de relações públicas no Palácio do Planalto no tempo de Lula.
Dirceu escreve no jornal. A investida da Ongoing no Brasil foi atribuída às
influências de Dirceu, mas o grupo desmente. Reinaldo Azevedo, da Veja, não
cai. “No meio político, o ‘Brasil Econômico’ é chamado “aquele jornal do
Dirceu”, escreveu.
O ex-ministro é visto como um símbolo do pior que
o País tem. (…)”Nada mudou depois do mensalão. A promiscuidade do Governo com
seus aliados persiste”, afirma Álvaro Dias, líder do PSDB no Senado. Para
Fernão Lara Mesquita, jornalista e atual administrador do jornal O
Estado de S. Paulo, mistério é coisa que não existe: “Se viesse
um dia a cair no Brasil, Sherlock Holmes ficaria desempregado. Não há nada
para descobrir. É tudo ’sexo explícito’”, refere. Segundo ele, Dirceu “é o
especialista nos trabalhos sujos. Tudo o que é realmente grande na
roubalheira geral está a cargo dele”. Fernão Mesquita inclui na polêmica o
caso Ongoing, grupo que considera o “cavalo de troia” da estratégia para o
domínio multimédia no universo lusófono.
Num momento em que “o Brasil é o maior exemplo
histórico de execução de um projeto de tomada de poder pelo controle dos meios
de difusão da cultura ‘burguesa’”, a Ongoing “e os banqueiros por trás dela
vieram a calhar”, aponta. A Ongoing, acionista da PT [Portugal Telecom]~, da
Impresa e da Zon, é liderada, no Brasil, por Agostinho Branquinho, que não
quis falar à VISÃO, invocando o seu “período de jejum” da política
portuguesa. É amigo e companheiro de partido de Relvas.
O ministro tem em mãos a privatização da RTP e
saberá do interesse da Cofina e da Ongoing no canal. No Brasil, o grupo viu
arquivada uma queixa por alegada violação da lei relativamente às origens
estrangeiras do seu capital. “A verdade prevalece, apesar das campanhas de
alguma concorrência”, diz um porta-voz da empresa. Fernão Mesquita não ficou
convencido. “Nunca superamos, vocês e nós, o sistema feudal. Seguimos vivendo
sob um rei e seus barões. Não há poderes independentes.”
(…)
Por Reinaldo Azevedo
Tags: José Dirceu, liberdade de imprensa
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Posted 19th
February by blogue da AICL Colóquios da Lusofonia
Labels: CORRUPÇÃO E NEPOTISMO
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