É por agora uma ajuda informal aos decisores portugueses, porque os conselhos oficiais de Nigel Crisp à política nacional de saúde só serão conhecidos nos próximos meses. O antigo director executivo do serviço nacional de saúde nos anos duros da reforma do sistema britânico, entre 2000 e 2006, foi convidado pela Fundação Calouste Gulbenkian para uma reflexão de fundo sobre os desafios par ao futuro da saúde em Portugal, que será lançada dia 5 de Fevereiro. Em entrevista ao i numa das muitas conferências sobre o mesmo tema que têm decorrido nos últimos dias, Crisp admitiu que “geriu mal” a reforma nos anos em que chefiou o famoso NHS. “O maior problema foi não termos levado as pessoas connosco, não as conseguimos convencer. Não investimos tempo suficiente a falar com elas sobre o que tínhamos em mente.”
Uma pesquisa por notícias desses anos à frente do serviço nacional de saúde inglês permite perceber que foram aplicadas medidas em muito semelhantes aos caminhos apontados pelo ministro Paulo Macedo, mas acusações de destruição do NHS e preocupação com o crescente papel dos privados, incertezas também ouvidas em Portugal.
Nigel Crisp reconhece que as circunstâncias são semelhantes, embora esteja ainda nas primeiras impressões: “Não estou a par do que se passa na política, mas tenho encontrado no sector pessoas muito qualificadas, apaixonadas e determinadas a fazer com que isto funcione. Sabem que existe um problema, são realistas e querem contribuir para resolvê-lo.”
Para o perito, é notória a rede de interesses no sector da saúde. A forma de os usar a favor do sistema, diz, é envolver todos os parceiros na tomada de decisões, dos laboratórios farmacêuticos às ordens profissionais, “Percebemos que era importante existir um plano nacional mas envolver ao mesmo tempo no sentido inverso, de baixo para cima”, disse.
No campo das medidas, há também pontos de convergências. Uma das novidades do seu mandato foi a hipótese de os utentes do NHS poderem escolher para cada tratamento ou consulta para o qual eram referenciados nos cuidados primários um de cinco hospitais, leque de opções que deveria incluir um prestador privado. Esta medida, implementada em 2006 e que previa o triplicar das cirurgias financiadas pelo Estado em unidades de gestão privada, vai ao encontro com duas linhas de acção em cima da mesa no debate nacional e já assumidas pelo governo: o reforço da liberdade de escolha dos utentes do SNS mas também o envolvimento do sector social e privado, nuance acompanhada das muitas incertezas em torno da entrega de cuidados aos privados. Além da escolha mais ampla, outra ideia do tempo de Crisp foi entregar a gestão privada unidades públicas com pior desempenho. “Nada é simples. O problema é que pensamos em snapshots e a vida é mais complicada”, diz Nigel Crisp. “Veja-se o caso de uma cirurgia às cataratas. Tínhamos um lugar a 50 milhas de Londres onde a lista de espera era de ano e meio e na capital eram três meses. Incentivar a concorrência e permitir a liberdade de escolha foi bom”, explica. “Agora imagine que tem 80 anos e mais problemas além das cataratas. Nesses casos, importa que o doente seja seguido no mesmo lugar, numa resposta em continuidade e coordenada.”
Crisp, membro independente da Câmara dos Lordes, deixou a direcção do NHS em 2006, quando o sistema apresentava ainda um défice na ordem dos 700 milhões de euros.
Uma pesquisa por notícias desses anos à frente do serviço nacional de saúde inglês permite perceber que foram aplicadas medidas em muito semelhantes aos caminhos apontados pelo ministro Paulo Macedo, mas acusações de destruição do NHS e preocupação com o crescente papel dos privados, incertezas também ouvidas em Portugal.
Nigel Crisp reconhece que as circunstâncias são semelhantes, embora esteja ainda nas primeiras impressões: “Não estou a par do que se passa na política, mas tenho encontrado no sector pessoas muito qualificadas, apaixonadas e determinadas a fazer com que isto funcione. Sabem que existe um problema, são realistas e querem contribuir para resolvê-lo.”
Para o perito, é notória a rede de interesses no sector da saúde. A forma de os usar a favor do sistema, diz, é envolver todos os parceiros na tomada de decisões, dos laboratórios farmacêuticos às ordens profissionais, “Percebemos que era importante existir um plano nacional mas envolver ao mesmo tempo no sentido inverso, de baixo para cima”, disse.
No campo das medidas, há também pontos de convergências. Uma das novidades do seu mandato foi a hipótese de os utentes do NHS poderem escolher para cada tratamento ou consulta para o qual eram referenciados nos cuidados primários um de cinco hospitais, leque de opções que deveria incluir um prestador privado. Esta medida, implementada em 2006 e que previa o triplicar das cirurgias financiadas pelo Estado em unidades de gestão privada, vai ao encontro com duas linhas de acção em cima da mesa no debate nacional e já assumidas pelo governo: o reforço da liberdade de escolha dos utentes do SNS mas também o envolvimento do sector social e privado, nuance acompanhada das muitas incertezas em torno da entrega de cuidados aos privados. Além da escolha mais ampla, outra ideia do tempo de Crisp foi entregar a gestão privada unidades públicas com pior desempenho. “Nada é simples. O problema é que pensamos em snapshots e a vida é mais complicada”, diz Nigel Crisp. “Veja-se o caso de uma cirurgia às cataratas. Tínhamos um lugar a 50 milhas de Londres onde a lista de espera era de ano e meio e na capital eram três meses. Incentivar a concorrência e permitir a liberdade de escolha foi bom”, explica. “Agora imagine que tem 80 anos e mais problemas além das cataratas. Nesses casos, importa que o doente seja seguido no mesmo lugar, numa resposta em continuidade e coordenada.”
Crisp, membro independente da Câmara dos Lordes, deixou a direcção do NHS em 2006, quando o sistema apresentava ainda um défice na ordem dos 700 milhões de euros.
Sem comentários:
Enviar um comentário