“REGRESSAR AOS MERCADOS EM 2013”
Vamos admitir que Portugal “regressa aos
mercados” em 2013, cumprindo aquilo que já é o único objectivo da política
governamental que os seus responsáveis pensam que é realisticamente atingível
antes de eleições. O défice, a dívida, a recessão ou um crescimento larvar
resultado apenas de que não se pode estar sempre a descer, o desemprego, a crise
social em todo o seu esplendor, as falências, o aumento da pobreza, tudo isto
parece estar para continuar e durar muito para além do actual ciclo eleitoral.
Mas, com o abaixamento dos juros nos mercados, que favorecem Portugal, a Irlanda
e mesmo a Grécia, pode ser possível fazer algumas pequenas emissões com sucesso
para dar pretexto a que a mão protectora do BCE se estenda sobre Portugal. O que
conta é a mão do BCE e não o sucesso das emissões, mas será sempre dito o
contrário. É mau? Não é, é bom, mais vale isso do que nada. Mas vale muito menos
do que o governo quer dar a entender. É verdadeiramente “voltar aos mercados”?
Não é, porque sem o aval do BCE seria impossível. É sustentável? Não é de todo,
mas o governo pensa apenas até 2015, porque o “que se lixem as eleições” foi
dito em ingsoc e doublespeak, a linguagem orwelliana em que uma coisa significa
exactamente o seu contrário
No BLOG - ABRUPTO de Pacheco Pereira
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