Manuel Alegre ao i: “É o início da implosão do sistema político tal como ele existe”
Por Rita Tavares, publicado em 27 Fev 2013 - 03:10 | Actualizado há 6 horas 8 minutos
Socialista diz que resultados eleitorais em Itália mostram como “a austeridade mata a democracia”
“É uma rebelião contra a democracia.” A frase é de Manuel Alegre, na análise aos resultados eleitorais italianos. Em declarações ao i, o socialista vê na vitória de Berlusconi a rejeição das políticas de austeridade, e na emergência do Movimento 5 Estrelas um aviso aos partidos tradicionais.
O cenário é o de um ano de governação de Mario Monti, nomeado primeiro-ministro depois da demissão de Berlusconi e da aprovação de um pacote de austeridade exigido pela União Europeia. O resultado eleitoral foi a divisão de votos entre direita e esquerda, Berlusconi em segundo e em primeiro uma nova força liderada por um comediante. “É o início da implosão do sistema político tal como ele existe”, conclui Manuel Alegre.
“É um sinal de que as pessoas não se sentem representadas pelos partidos políticos que, uma vez eleitos, fazem aquilo que a Comissão Europeia, o BCE e a Goldman Sachs mandam fazer”, acrescenta o socialista que liderou em Portugal a criação do Movimento Intervenção e Cidadania, que apoiou as suas candidaturas presidenciais (em 2006, sem o PS, e em 2011, já com o apoio socialista e também do Bloco de Esquerda).
Berlusconi fez bem Quanto a Berlusconi, o socialista admite a forma “demagógica” como fez campanha, mas regista que o ex-primeiro-ministro italiano “subiu porque interpretou bem o sentimento das pessoas contra a austeridade e contra uma Itália submetida aos interesses alemães”. O seu discurso “foi muito simples”, regista Manuel Alegre: “O euro estava ao serviço da Itália e não de outros interesses.”
“É a rejeição nacional de uma Europa dirigida pela Alemanha”, diz Alegre, que viu um erro na campanha de Pier Luigi Bersani, do Partido Democrático (coligado com a esquerda): “As sondagens davam-lhe maioria, mas acabou por abraçar Monti e não criou uma alternativa.” E neste ponto Alegre diz mesmo que há uma aprendizagem que deve ser feita também pelos socialistas em toda a Europa. “Trata-se de um aviso muito sério aos partidos políticos que estão no poder e aos socialistas de que têm de se demarcar da austeridade e apresentar alternativas”, diz ao i, insistindo que o que se passou em Itália mostra que “a austeridade mata a democracia e mata a Europa”.
“A austeridade mata os partidos tradicionais, os que compactuam com ela e não sabem dizer ‘não’ à senhora Merkel”, acrescenta Alegre, apontando o Movimento 5 Estrelas como um exemplo do que pode ser o futuro, até em Portugal: “Aconteceu em Itália, pode acontecer em Espanha e pode acontecer aqui.” E a génese destes movimentos, segundo Alegre, pode aparecer em qualquer meio. Um exemplo? “A grande manifestação de 15 de Setembro foi inorgânica. Pode dar para manifestações, mas também para movimentos deste género ou outros.”
A manifestação vai repetir-se, mais uma vez, num cenário de uma avaliação da troika ao programa de ajustamento em Portugal, e o socialista não se demarca
O cenário é o de um ano de governação de Mario Monti, nomeado primeiro-ministro depois da demissão de Berlusconi e da aprovação de um pacote de austeridade exigido pela União Europeia. O resultado eleitoral foi a divisão de votos entre direita e esquerda, Berlusconi em segundo e em primeiro uma nova força liderada por um comediante. “É o início da implosão do sistema político tal como ele existe”, conclui Manuel Alegre.
“É um sinal de que as pessoas não se sentem representadas pelos partidos políticos que, uma vez eleitos, fazem aquilo que a Comissão Europeia, o BCE e a Goldman Sachs mandam fazer”, acrescenta o socialista que liderou em Portugal a criação do Movimento Intervenção e Cidadania, que apoiou as suas candidaturas presidenciais (em 2006, sem o PS, e em 2011, já com o apoio socialista e também do Bloco de Esquerda).
Berlusconi fez bem Quanto a Berlusconi, o socialista admite a forma “demagógica” como fez campanha, mas regista que o ex-primeiro-ministro italiano “subiu porque interpretou bem o sentimento das pessoas contra a austeridade e contra uma Itália submetida aos interesses alemães”. O seu discurso “foi muito simples”, regista Manuel Alegre: “O euro estava ao serviço da Itália e não de outros interesses.”
“É a rejeição nacional de uma Europa dirigida pela Alemanha”, diz Alegre, que viu um erro na campanha de Pier Luigi Bersani, do Partido Democrático (coligado com a esquerda): “As sondagens davam-lhe maioria, mas acabou por abraçar Monti e não criou uma alternativa.” E neste ponto Alegre diz mesmo que há uma aprendizagem que deve ser feita também pelos socialistas em toda a Europa. “Trata-se de um aviso muito sério aos partidos políticos que estão no poder e aos socialistas de que têm de se demarcar da austeridade e apresentar alternativas”, diz ao i, insistindo que o que se passou em Itália mostra que “a austeridade mata a democracia e mata a Europa”.
“A austeridade mata os partidos tradicionais, os que compactuam com ela e não sabem dizer ‘não’ à senhora Merkel”, acrescenta Alegre, apontando o Movimento 5 Estrelas como um exemplo do que pode ser o futuro, até em Portugal: “Aconteceu em Itália, pode acontecer em Espanha e pode acontecer aqui.” E a génese destes movimentos, segundo Alegre, pode aparecer em qualquer meio. Um exemplo? “A grande manifestação de 15 de Setembro foi inorgânica. Pode dar para manifestações, mas também para movimentos deste género ou outros.”
A manifestação vai repetir-se, mais uma vez, num cenário de uma avaliação da troika ao programa de ajustamento em Portugal, e o socialista não se demarca
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