segunda-feira, 6 de maio de 2013


Paulo Portas introduziu ontem uma novidade absolutamente relevante no discurso político nacional: o governo – Paulo Portas, ontem, ainda pertencia ao executivo – já é capaz de criticar a troika. Na linha daquilo que tinha sido o discurso do CDS no 25 de Abril (a deputada Cecília Meireles fez duras críticas à política europeia), o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – apesar de comunicar a partir das politicamente mais confortáveis instalações da sede nacional do CDS – apresentou a sua espécie de revolta contra a bipolaridade de que sofre a troika. Ou seja, os líderes falam dos malefícios da austeridade, mas os técnicos destacados impõem a austeridade maléfica. É a primeira vez que um membro do governo sai do passo acertado e pungente da linha Passos-Gaspar, duas vítimas do síndroma de Estocolmo neste capítulo.
Mas o que ficou do discurso de Paulo Portas foi o sinal de que, ao contrário do que disse Passos Coelho no sábado, já vivemos em pleno pântano e só o primeiro-ministro não deu por isso. Paulo Portas anunciou ontem que vetou o aumento da idade da reforma para os 67 anos, mas que, pelos vistos, não conseguiu impedir que o primeiro-ministro viesse anunciar um novo imposto sobre os reformados. Se esse imposto avançar em nome da “famigerada 7.a avaliação”, Paulo Portas, para poder “estar em paz com a sua consciência”, abandonará o governo. Portas ainda acredita num recuo – que provavelmente acontecerá. Mas, pese o tom delicado com que o pronunciou, o discurso de Paulo Portas faz antever que arrumada a 7.a avaliação, seguirá o seu caminho, sob pena de suicídio político. Afinal, o famoso ideário democrata-cristão volatilizou-se e os reformados e idosos (o eleitorado que ajudou a eleger Portas) têm sido as principais vítimas do programa de destruição em curso.
Comparado com o que se passa dentro do actual governo e a implosão social em curso, aquele “pântano” a que se referia António Guterres era uma brincadeira de crianças e Santana Lopes foi despedido por razões insignificantes.
Aparentemente, com a exclusão de Passos e Gaspar, uma parte do governo está consciente de que a continuação destas políticas conduzirá à hecatombe social. Não é uma mudança de governo que fará a Primavera: a solução é europeia e ainda não existe (veja-se o falhanço de Hollande). Mas manter este governo é aceitar o pântano – Cavaco aceita, Portas já ameaça que pode romper.

PAULO PORTAS É UM ATOR PERFEITO. DIZ E DESDIZ COM A MESMA LATA.
AMEAÇA MAS NÃO SAI.
O PARTIDO DO TAXI VAI REGRESSAR? E PORTAS SERÁ O NOVO LIDER DO PPD?

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