sábado, 14 de setembro de 2013



Portugal sem política europeia

Embaixador Seixas da Costa acusa Governo de seguidismo e mau trabalho.
Luísa Meireles
Francisco Seixas da Costa fez duras críticas ao Governo Jorge Simão Francisco Seixas da Costa fez duras críticas ao Governo
O embaixador Francisco Seixas da Costa fez hoje uma áspera critica ao trabalho de Portugal junto das instituições europeias, considerando que o atual Governo "prescindiu deliberadamente de ter uma política europeia".

Seixas da Costa, que se reformou no princípio do ano da carreira diplomática, acusou em particular o Governo de uma política "de um seguidismo sem limites face aquilo que presumia que agradava a Berlim.

O embaixador e ex- secretario de Estado dos Assuntos Europeus, que intervinha num debate sobre o tema da representação portuguesa na Europa, no âmbito do segundo dia do encontro "Portugal europeu e agora", criticou igualmente o modo como foi negociado o ultimo quadro financeiro plurianual (as perspectivas financeiras).

Segundo Seixas da Costa, essa negociação foi feita "de um modo verdadeiramente lesivo dos interesses nacionais, tanto mais que tem efeitos para um septanato em que a nossa capacidade de investimento público é reduzidíssima", afirmou.

O diplomata debateu o tema com o também diplomata e actual director de assuntos europeus do ministério dos Negócios Estrangeiros, Francisco Duarte Lopes e a professora da Universidade Nova, Catherine Moury.

  Seixas da Costas defendeu que em vez aceitar "resignadamente o que lhe deram", Portugal devia ter lutado por uma "discriminação positiva", precisamente devido a situação de emergência excepcional.

O diplomata considerou ainda que o pais foi perdendo poder paulatinamente "à mesa do Conselho", fruto dos alargamentos e do Tratado de Lisboa, e que essa circunstancia deveria exigir outro tipo de políticas.

O grande problema português em Bruxelas é "estar numa posição de distancia face aos interesses médios da União, o que não favorece a capacidade de garantir uma defesa eficaz dos interesses próprios", afirmou

Comissários irrelevantes


Seixas da Costa estendeu as suas críticas aos comissários portugueses em Bruxelas, considerando uns prestigiados e competentes, outros diletantes e irrelevantes. "Houve um pouco de tudo" , disse. Portugal teve até hoje três comissários, Cardoso e Cunha, Deus Pinheiro e Antonio Vitorino.

Nem a comunicação social portuguesa na capital belga escapou às criticas do diplomata, para quem esta opta quase sempre por um rigor jornalístico "que vai ao ponto de denunciar as nossas fragilidades, em vez de funcionar como um reforço do poder nacional", como acontece com os "media" de outros países.

"Não tenho duvidas que este comportamento segue os melhores cânones deontológicos, mas também não hesito em considera-lo lesivo dos interesses nacionais", afirmou.
FALA QUEM SABE. UM DIPLOMATA QUE CONHECE BEM OS MEANDROS DA UE.
O LIVRO "DIPLOMACIA EUROPEIA - Instituições, alargamento e o futuro da União" da DOM QUIXOTE  que publicou em 2002 é bem esclarecedor.
Este governo anda entretido com pequenas coisas e pequenos casos caseiros. Política Europeia nem vê-la. São uns aprendizes e uns rapazolas. Só pensam em cortes a quem menos pode e menos tem.
        

Sem comentários: