quinta-feira, 20 de outubro de 2011

DA EQUIDADE

Parece absurdo e imoral - e é - que apenas uma classe de trabalhadores seja chamada a suportar o pagamento da factura do défice. Até Cavaco Silva ficou incomodado com a solução encontrada pelo governo.
Aparentemente, o processo mais equitativo era o de taxar o rendimento, qualquer que fosse a sua natureza ou origem. Só que tal procedimento, fazendo aumentar a receita, não permitiria diminuir a despesa, que é o que está em causa.
Assim sendo, e para não haver discriminação de trabalhadores e não penalizar ainda mais os mesmos, a 'mezinha' tem que ser de outra natureza. Independentemente de todos poderem ser chamados a contribuir (todos, incluindo os que auferem outro tipo de rendimentos que não salários), os cortes têm que se verificar noutras áreas da despesa pública que não os salários e pensões.
Será de esperar que a discussão do OE conduza a encontar outras vias, até porque as medidas anunciadas irão agravar ainda mais - todo o mundo está de acordo - a situação económica, que não permitirá a recuperação a médio prazo.
Até porque, como se diz, se os cortes agora anunciados são para repor lá para 2014 (poeira para os olhos), não parece que a economia recupere de modo a permiti-lo. Vão seguir-se muitos anos de recessão, com aumento de desemprego, contração de rendimento, pressão sobre a segurança social e diminuição de cobrança de impostos. Iremos ficar pior do que a Grécia, hoje.
Se for o caso, será de renegociar com a troika os timings dos objectivos.
Os deputados, nomeadamente os do PS (demasiado retraídos) têm a palavra.

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