Sem comentários, que tenho por desnecessários, transcrevo um artigo de Fernando DaCosta, no jornal i:
"Há dias, um banqueiro tornou pública a soberba do ministro das Finanças ao adoptar o inglês como “língua de trabalho” no seu reino de secos & molhados. Esse banqueiro, Fernando Ulrich, abespinhou--se por Vítor Gaspar impor tal idioma aos que conferenciem com ele – isto é, portugueses a tratar, em território nacional (o Terreiro do Paço ainda o é), de assuntos portugueses.
Houve já, e por atitudes assim, quem entrasse de chamar “Nuno Álvares Pereira da Contabilidade” àquele (por iluminado) dirigente. Inapropriadamente, porém: a igreja do Condestável era a do catolicismo, a do ministro é a do cifrão; a bíblia de D. Nuno era a do Vaticano, a do dr. Gaspar é a de Bruxelas; a trindade venerada pelo santo era a celestial, a do contabilista é a troika. Na sanha de aspergir a Pátria, o titular da sua pasta (pasta, massa, dinheiro) tomou como hissope uma calculadora que não regista valores de cultura, de história, de civilização de que a língua portuguesa é símbolo vivo. O menosprezo por ela fez-se-nos, aliás, uma constante: cantores cantam em inglês, romancistas romanceiam em francês, universidades cursam em americano, etc., num inqualificável atentado à nossa identidade.
A propósito de identidade, recordo amiúde o presidente Giscard da França que, ao visitar Portugal, nos deu uma bela bofetada de luva branca: quando, na conferência de imprensa de despedida, patuscos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da imprensa lhe falaram em inglês, ele interrompeu, sarcástico, pedindo aos intérpretes o favor de traduzirem o que se dizia para português e francês, as línguas dos países ali afirmados – não a Grã-Bretanha.
Gaspar e afins jamais perceberão ninharias destas. Que bela filharada tens, Portugal!"
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