António Pedro Vasconcelos diz que povo português não sufragou a privatização da RTP
Por Agência Lusa, publicado em 2 Set 2012 - 21:23 | Actualizado há 1 hora 45 minutos
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| QUANDO SERÁ QUE ALGUNS POLITICOS, PARA NÃO DIZER TODOS, DEIXAM DE NOS MENTIR? | |
O realizador António Pedro Vasconcelos disse que hoje que o povo português não votou na privatização da RTP porque esta figurava no programa do PSD mas não no do CDS-PP, alertando que o plano "dificilmente passaria na União Europeia".
No fórum Socialismo 2012, a rentrée do Bloco de Esquerda que hoje termina em Santa Maria da Feira, um dos debates da manhã foi sobre a "RTP e os negócios de Miguel Relvas", tendo sido moderado pela deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins, com a participação de António Pedro Vasconcelos e de um trabalhador da RTP e dirigente sindical Paulo Mendes.
O realizador - um dos rostos do manifesto contra a privatização da televisão e rádios públicas que vai agora pedir uma audiência com o Presidente da República sobre esta matéria - disse que "um equívoco que tem sido usado" é o de que a privatização foi sufragada "pelo povo português".
"Não foi porque isto estava no programa do PSD não estava no programa do CDS. Não foi sufragado pelos portugueses. Essa legitimidade que eles procuram dar, que o povo português na sua maioria votou a privatização da RTP, é mentira", criticou, recordando que o acordo de coligação entre PSD e CDS-PP (que se traduziu num programa de Governo onde consta a privatização de um canal da RTP) foi pós-eleitoral.
Aos jornalistas no final, António Pedro Vasconcelos disse que este "é um problema fraturante" e que a soberania nacional "está em causa", alertando que a "última hipótese apresentada dificilmente passaria na União Europeia nos termos em que é proposta" porque "Portugal assinou vários tratados, várias convenções, diretivas da União Europeia sobre serviço público de televisão".
"Quando o senhor primeiro-ministro diz que não sabe, nem ninguém sabe muito bem, o que é o serviço público de televisão, não só está na lei como está em vários documentos europeus que Portugal subscreveu", recordou.
Na opinião do realizador, as declarações de sábado do Presidente da República devem "ser para o Governo", esperando que, se assim for, Cavaco Silva aja depois em consequência.
"É melhor que ele se pronuncie do que o silêncio. Aquilo que ele disse -- que é pouco, mas enfim -- se dirige ao Governo, nomeadamente ao ministro Relvas. (...) Tudo isto exige que o Governo pare para pensar já que não pensou antes de começar a lançar sugestões e anúncios", criticou.
Durante o debate, o realizador disse que "a RTP endividou-se por irresponsabilidade de governos anteriores" e que "quando o ministro Relvas veio dizer que o Estado teve que pagar 500 milhões e que foi isso uma das coisas que impediu o Governo de cumprir a meta do défice, primeiro, era uma dívida do Estado não era uma dívida da empresa".
"Segundo, ele decidiu pagar espontaneamente. (...) Porque é que ele se precipitou? Para depois poder entregar a empresa limpinha, o 'filet mignon' aos privados", criticou.
Para além da audiência que vão pedir ao Presidente da República, o grupo de seis pessoas que lançaram o manifesto -- que foi transformado por uma cidadã numa petição pública que tem hoje quase três mil assinaturas -- vão lançar um site que estará ativo a partir de segunda-feira disponível através do endereço www.emdefesadoservicopublicoderadioedetelevisao.pt.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa*
Leia também:
RTP. Comissão de Trabalhadores quer administração nomeada pelo parlamento
No fórum Socialismo 2012, a rentrée do Bloco de Esquerda que hoje termina em Santa Maria da Feira, um dos debates da manhã foi sobre a "RTP e os negócios de Miguel Relvas", tendo sido moderado pela deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins, com a participação de António Pedro Vasconcelos e de um trabalhador da RTP e dirigente sindical Paulo Mendes.
O realizador - um dos rostos do manifesto contra a privatização da televisão e rádios públicas que vai agora pedir uma audiência com o Presidente da República sobre esta matéria - disse que "um equívoco que tem sido usado" é o de que a privatização foi sufragada "pelo povo português".
"Não foi porque isto estava no programa do PSD não estava no programa do CDS. Não foi sufragado pelos portugueses. Essa legitimidade que eles procuram dar, que o povo português na sua maioria votou a privatização da RTP, é mentira", criticou, recordando que o acordo de coligação entre PSD e CDS-PP (que se traduziu num programa de Governo onde consta a privatização de um canal da RTP) foi pós-eleitoral.
Aos jornalistas no final, António Pedro Vasconcelos disse que este "é um problema fraturante" e que a soberania nacional "está em causa", alertando que a "última hipótese apresentada dificilmente passaria na União Europeia nos termos em que é proposta" porque "Portugal assinou vários tratados, várias convenções, diretivas da União Europeia sobre serviço público de televisão".
"Quando o senhor primeiro-ministro diz que não sabe, nem ninguém sabe muito bem, o que é o serviço público de televisão, não só está na lei como está em vários documentos europeus que Portugal subscreveu", recordou.
Na opinião do realizador, as declarações de sábado do Presidente da República devem "ser para o Governo", esperando que, se assim for, Cavaco Silva aja depois em consequência.
"É melhor que ele se pronuncie do que o silêncio. Aquilo que ele disse -- que é pouco, mas enfim -- se dirige ao Governo, nomeadamente ao ministro Relvas. (...) Tudo isto exige que o Governo pare para pensar já que não pensou antes de começar a lançar sugestões e anúncios", criticou.
Durante o debate, o realizador disse que "a RTP endividou-se por irresponsabilidade de governos anteriores" e que "quando o ministro Relvas veio dizer que o Estado teve que pagar 500 milhões e que foi isso uma das coisas que impediu o Governo de cumprir a meta do défice, primeiro, era uma dívida do Estado não era uma dívida da empresa".
"Segundo, ele decidiu pagar espontaneamente. (...) Porque é que ele se precipitou? Para depois poder entregar a empresa limpinha, o 'filet mignon' aos privados", criticou.
Para além da audiência que vão pedir ao Presidente da República, o grupo de seis pessoas que lançaram o manifesto -- que foi transformado por uma cidadã numa petição pública que tem hoje quase três mil assinaturas -- vão lançar um site que estará ativo a partir de segunda-feira disponível através do endereço www.emdefesadoservicopublicoderadioedetelevisao.pt.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa*
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