sábado, 10 de novembro de 2012

Marcha silenciosa

Militares mostram cartão vermelho ao Governo

por Luís Fontes com LusaHoje

Militares mostram cartão vermelho ao Governo
Fotografia © Orlando Almeida/Global Imagens
Apupos sempre que se ouviram os nomes do ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, e do Presidente da República, têm marcado a manifestação dos militares em Lisboa.
Numa concentração marcada pelo silêncio dos manifestantes (milhares de militares e famílias), só os nomes dos governantes e o momento em que foram mostrados pela multidão cartões vermelhos à política do Governo quebraram essa "tranquilidade".
Na manifestação, que teve início pelas 15.00 na Praça do Município, participam os presidentes da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC/PJ), Carlos Garcia e da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira. Justificaram a presença com a necessidade de se "solidarizarem" com os protestos dos militares.
Explicando as "preocupações dos militares e de todas as forças armadas", o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, Manuel Carcel, lembrou que "os militares são para servir Portugal e não para servir o Governo". O coronel lembrou ainda que os militares "têm de ser dignificados".
Manuel Carcel contou que "há muitos [militares] que estão a recorrer a penhoras", outros que "deixaram de poder enviar os seus filhos para a universidade" e ainda casos de "militares que ficam nos quartéis porque não têm capacidade [financeira] para irem visitar a família".
Entre as muitas bandeiras das três associações que convocaram a marcha - Associação de Oficiais das Forças Armadas, Associação de Praças e Associação Nacional de Sargentos - encontravam-se cartazes feitos à mão, com dizeres como "Revolução com cravos não foi a solução", e faixas com apelos: "Estas políticas destroem a condição militar - combate-as."

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