Costa conta espingardas e Seguro trava congresso
Por Rita Tavares, publicado em 24 Jan 2013 - 03:10 | Actualizado há 8 horas 31 minutos
Braço-direito de Sócrates fez rebentar a discussão que irritou o líder do PS. Pressão aumenta para directas já e António Costa pondera
O dia do regresso do país aos mercados financeiros foi o dia do regresso dos socialistas a outro mercado, o da luta interna. O tiro de partida foi a intervenção de Pedro Silva Pereira a defender um congresso do partido “tão breve quanto possível”, mas sucederam-se outras no mesmo sentido e da ala que tem sido oposição a Seguro dentro do PS. O líder questiona irritado: “Qual é a pressa?” E também diz que o adversário é o primeiro-ministro. Mas por dentro António Costa já conta espingardas.
À imagem de outros processos de decisão de peso do autarca de Lisboa, também agora Costa está fechado para ponderação, mas entre os que o rodeiam ninguém dá por certo que a decisão – seja ela qual for – esteja tomada. Mas se há uns meses isto era assunto encerrado na cabeça do autarca, agora não tanto. Para já existe a auscultação dos mais próximos e até a contagem de possíveis apoios a uma candidatura à liderança. E a agenda pública do autarca é intensa nos próximos dias, e não directamente ligada com a câmara: hoje é convidado no almoço do American Club, onde fará uma intervenção, e amanhã abre os trabalhos do congresso do PS-Açores, convidado por Carlos César, outro crítico da direcção de Seguro.
A recandidatura a Lisboa é praticamente certa e será anunciada no início de Fevereiro – resta saber se a ela se soma um ataque à liderança do PS. Dentro do partido conta com o apoio dos fiéis de José Sócrates, mas também com a nova geração de socialistas personificada por Pedro Nuno Santos, Duarte Cordeiro e Pedro Delgado Alves. Os três ex-líderes da JS estão juntos na vontade de uma alternativa à actual liderança do partido, têm tido encontros e jantares onde o tema é debatido e a aproximação a António Costa tem feito o seu caminho, com algumas desta figuras a serem até desafiadas para entrar na campanha autárquica em Lisboa, caso de Delgado Alves.
Mas a construção desta alternativa não tinha, até agora, passado dos bastidores do partido. Ontem a declaração de Pedro Silva Pereira (braço-direito de José Sócrates) acabou por incentivar algumas destas vozes a tornarem-se públicas. Em entrevista à Renascença, o ex-ministro disse que “o PS precisa de fazer mais para se apresentar como uma alternativa credível”. Quanto ao congresso, Silva Pereira defende que ele se faça “tão brevemente quanto possível” e ontem à tarde explicou porquê: “Se o PS antecipa o risco de um crise política, deve estar preparado. É melhor que o congresso seja antes das autárquicas.”
Abriu-se assim a porta às declarações no mesmo sentido. Ao i, Pedro Delgado Alves diz que as eleições internas e a reunião magna socialista deve ser “na Primavera, como tem sido tradição no partido”. E sobre o actual PS não tem dúvidas: “Lidera as sondagens mas não levantou voo.” O deputado acrescenta mesmo que “é uma irresponsabilidade não fazer nada quando as coisas não estão a correr bem”. A defesa de um candidato alternativo fica feita, apesar de o ex-líder da JS não adiantar um nome.
A estas vozes juntou-se ainda a do ex- -ministro Vieira da Silva, dizendo que “face à evolução da situação política, seria mais vantajoso que [o congresso] acontecesse antes das eleições autárquicas, com um período suficientemente longo para que não perturbasse o empenho do partido nesse acto eleitoral”. Pedro Nuno Santos, João Galamba e José Lello, por exemplo, também concordam. Mas António José Seguro não quer ouvir falar disso agora.
O líder do PS saiu do plenário ao fim da tarde para o seu gabinete, onde esteve reunido com Pedro Silva Pereira. Francisco Assis chegou a estar lá dentro, mas saiu ao fim de 15 minutos. Meia hora depois de o ex-ministro de Sócrates ter saído saiu Seguro, visivelmente irritado com a polémica gerada ao longo do dia. Não quis colaborar com os repórteres de imagem, posicionou-se onde quis e esperou pelas perguntas. Em confronto com a declaração de Silva Pereira atirou com um “qual é a pressa?” e, questionado sobre se quer o congresso do partido antes ou depois das autárquicas, insistiu com o “qual é a pressa”. Repetiu a pergunta cinco vezes e pelo meio ainda avisou que o seu “adversário é o primeiro-ministro”.
O que é certo é que Silva Pereira precipitou uma discussão que o líder não queria ter agora. Ainda no fim-de-semana tinha dito, em entrevista ao DN, que não tinha pensado no calendário. Na direcção ainda se pesam as vantagens e desvantagens de umas directas antes ou depois das autárquicas. Mas entre os que querem uma alternativa à liderança a questão também não é totalmente pacífica. Se muitos vieram ontem indicar que seria vantajoso arrancar já para essa corrida, entre os apoiantes de Costa há dúvidas. É que há uma única certeza, para já, e essa é que as autárquicas são em Outubro. E para António Costa pode não ser benéfico avançar em dois planos ao mesmo tempo: Lisboa e a disputa interna. A palavra final está na cabeça de Costa pela segunda vez nos dois últimos anos. Em 2011 teve o mesmo processo de ponderação e decidiu não avançar contra Seguro.
Com A.S.L. e P.R
ESPERO QUE COM ESTA LUTA INTERNA NÃO SE REPITAM CENAS DOS ANOS 80 EM QUE SE ENTREGOU O PODER À DIREITA: 1º. À AD (2 VEZES) E DEPOIS A cAVACO (10 ANOS.)
QUANDO UM SECRETÁRIO GERAL RESPONDE "QUAL É A PRESSA?" DÁ MARGEM PARA APARECEREM ARTIGOS COMO ESTE. SEGURO DEVIA DIZER APENAS QUE ERA UM ASSUNTO INTERNO DO PS E RESOLVIDO NOS ÓRGÃOS PRÓPRIOS. OS ESTATUTOS SÃO CLAROS QUANTO À CONVOCAÇÃO DE CONGRESSOS. TENHAM JUIZO.
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