terça-feira, 12 de março de 2013



Portugal perdeu na agricultura o dobro do anunciado pelo Governo

Acusação parte de Capoulas Santos, que diz que informação avançada por Passos Coelho (perda de fundos europeus de cerca de 600 milhões de euros) não corresponde à realidade.
Daniel do Rosário, correspondente em Bruxelas
Última atualização há 15 minutos
Capoulas Santos diz que Portugal vai perder para a agricultura no próximo orçamento europeu o dobro do anunciado pelo primeiro-ministro Alberto Frias Capoulas Santos diz que Portugal vai perder para a agricultura no próximo orçamento europeu o dobro do anunciado pelo primeiro-ministro
Capoulas Santos considera que o dinheiro que Portugal vai perder para a agricultura no próximo orçamento europeu é o dobro do anunciado pelo primeiro-ministro quando, no início de fevereiro, os 27 chegaram a acordo sobre o orçamento plurianual da União Europeia (UE).
Em Estrasburgo, à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu (PE), o eurodeputado socialista recordou que "o primeiro-ministro disse que Portugal tinha perdido 7,5% de um envelope de 8,1 mil milhões de euros", acrescentando que "isto dá cerca de 600 milhões". Mas para o ex-ministro da Agricultura a realidade é outra: "A minha convicção é que as perdas poderão ser qualquer coisa como o dobro dessa verba".
"Não estou a dizer que o primeiro-ministro mentiu, (...) ele divulgou os dados que quis divulgar, agora eu estou convencido que ele não pode deixar de ter outros dados", acrescenta Capoulas Santos.
O relator do Parlamento Europeu para a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) sustenta as suas alegações no facto de os envelopes nacionais negociados por cada país para a agricultura, no âmbito do acordo sobre o orçamento da União Europeia para os anos entre 2014 e 2020, "continuarem a ser escondidos dos deputados": "Descobri ontem, por exemplo, que na decisão do Conselho as verbas para o algodão e o POSEI terem sido incluídas no primeiro pilar, se assim foi isso significa para Portugal menos 400 milhões de euros do que o que foi anunciado pelo primeiro-ministro".
Capoulas Santos considera ainda que os números anunciados por Passos Coelho a 8 de fevereiro "não são passíveis de ser comparados" com as propostas do PE e da Comissão Europeia, uma vez que estas são feitas a preços constantes, enquanto a de Passos Coelho assenta em valores correntes, "o que faz uma diferença muitíssimo significativa".
"Suspeito cada Estado-membro negociou caso a caso com o senhor Rompuy (presidente do Conselho Europeu), sem que nenhum conheça os números atribuídos aos demais", atira Capoulas, que conclui que "resta saber quem foram os ganhadores e os perdedores" desta negociação.
No final do Conselho Europeu em que os 27 chegaram a um acordo político sobre o orçamento plurianual da União, Passos Coelho anunciou que as verbas destinadas a Portugal no âmbito da PAC diminuirão em 7,6% em relação ao atual quadro financeiro (2007-2013), enquanto as perdas na política de coesão são de 10,5%. Uma perda global de 9,7%, que o Governo considerou ser aceitável.
 
se não fosse grave era uma brincadeira de garotos.
 


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