sexta-feira, 26 de abril de 2013

Alexis Tsipras

“A Europa do Sul será mais forte que Merkel”

António Freitas de Sousa
26/04/13 10:20
 
 
O líder da coligação da esquerda radical grega (Syriza), Alexis Tsipras, apelou, em Lisboa, para uma "nova primavera" dos povos que mude o rumo da história e derrote a austeridade. "São possíveis três grandes vitórias que podem mudar o curso da história. Façam o mesmo em Portugal, quadrupliquem a votação, acredito que o podem fazer", disse Tsipras num comício do Bloco de Esquerda (BE), numa referência à votação obtida pelo seu partido nas eleições legislativas gregas em 2012, que o tornaram no maior da oposição.
"No próximo ano, é uma promessa, o povo e a Syriza estarão no poder e a Grécia livre da troika", afirmou. "Portugal, Espanha, Irlanda, Chipre, também podem livrar-se da troika. Acredito que vamos fazê-lo, unidos vamos vencer", frisou, aplaudido pela assistência que quase encheu o Fórum Lisboa, num comício de comemoração dos 29 anos do 25 de Abril.
O combate às políticas de austeridade e às políticas da troika, a defesa de uma "verdadeira democracia" foram temas sublinhados pelo dirigente político grego, em consonância com intervenções anteriores da eurodeputada Maria Matias e da dirigente bloquista Joana Mortágua.
A união dos países do Sul foi o tema central da intervenção de Alexis Tsipras, que denunciou a "ditadura económica europeia imposta pelos poderosos", recordando que no processo de transição para a democracia, a partir de meados da década de 1970, Portugal, Espanha e Grécia foram considerados casos exemplares.
AA Europa do Sul será mais forte que Merkel e a sua aliança", insistiu Tsipras, antes de garantir que a união dos países confrontados com resgates financeiros "a uma só voz" poderá fazer "inclinar" a balança no interior da União Europeia, hoje dominada por um "Directório", referiu o coordenador da Syriza.
A realização de uma conferência europeia sobre a dívida soberana, nos moldes "da conferência de Londres de 1953 sobre a Alemanha" voltou a ser defendida pelo líder da coligação de esquerda grega, que pugnou pela anulação do memorando da troika, por políticas que promovam o aumento da procura e imponham uma cláusula de crescimento no quadro de "um novo acordo para a Europa".
"Não aceitamos mais medidas de austeridade, é necessário cooperar, promover iniciativas e acções, porque separados seremos derrotados", assinalou na sua intervenção em inglês, com tradução simultânea. A mudança dos governos na Europa do Sul foi ainda considerada determinante porque "quem governa no Sul determina a direcção da zona euro", antes de recordar que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, também reconheceu recentemente o efeito negativo de uma continuada austeridade "talvez porque a recessão esteja a chegar ao Norte".

NUNCA É TARDE PARA COMBATER O NEOLIBERALISMO. COM REALISMO E RESPONSABILIDADE.

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