Numa altura em que o governo mudou o discurso e pede o contributo do PS para a discussão de medidas de médio e longo prazo, o ministro das Finanças foi ontem em sentido contrário. Numa intervenção mais política que técnica – e cheia de adjectivos –, Vítor Gaspar remeteu toda a responsabilidade pelos contratos swap das empresas públicas para o governo do PS. Os socialistas não gostaram e acusaram Gaspar de ser mais tóxico “do que todos os swaps tóxicos”. O consenso parece ter ficado mais longe.
O ministro das Finanças e a secretária de Estado Maria Luís Albuquerque foram ouvidos no parlamento sobre os contratos especulativos de cobertura de risco de taxa de juro que apresentam perdas potenciais de 2500 milhões de euros. Mas Gaspar aproveitou para, sobretudo, imputar responsabilidades aos socialistas. Logo no início disse não ter qualquer problema – nem dúvidas – em afirmar que houve um “padrão de ocultação” do anterior governo, para depois acrescentar que os swaps “são instrumentos complexos e opacos e a opacidade e a desorçamentação foram comportamentos sistemáticos do governo do PS”. Maria Luís Albuquerque salientou que desde o pri-meiro despacho sobre o tema, assinado pelo seu antecessor, Carlos Costa Pina, publicado em Janeiro de 2009, foram assinados mais 31 contratos de swap de risco, enquanto com o actual governo não houve mais operações. A secretária de Estado do Tesouro disse ainda que Costa Pina não deixou informação sobre os swaps na pasta que passou ao novo executivo.
Ao mesmo tempo que Gaspar fazia um discurso duro, a responsabilizar o PS pelos contratos swap, o primeiro-ministro pedia, no Estoril, consenso em torno de medidas de médio e longo prazo (ver páginas 2-3). Os socialistas ainda não responderam à carta do ministro Miguel Poiares Maduro a pedir mais uma reunião para discutir as medidas de apoio à economia.
Questionada pelo i, a direcção do PS remeteu para as respostas dos deputados na comissão parlamentar (em que estão vários membros do anterior governo). Os socialistas não gostaram das palavras do ministro e fizeram questão de o mostrar, mesmo quando já se discutia o Documento de Estratégia Orçamental – que entrou na Assembleia enquanto Gaspar apresentava o documento, o que gerou nova polémica sobre a sua entrega.
Já no final, o deputado Pedro Marques defendeu o legado do PS, acusando Vítor Gaspar de ser “mais tóxico do que todos os swaps tóxicos”, tendo em conta que as medidas que levou a cabo já causaram mais estragos que os contratos de alto risco. Antes, Fernando Medina, também deputado do PS, já tinha respondido a Vítor Gaspar dizendo que o ministro enveredou pela “estratégia do bode expiatório” e pelo “jogo político-partidário reles”.
O clima ainda aqueceu mais e Gaspar respondeu, no mesmo tom, dizendo que o comportamento dos deputados demonstra uma “hipersensibilidade e uma incapacidade patológica do PS em assumir as suas responsabilidades”. E que dois anos depois do pedido de resgate, o PS está ainda “em estado de negação sobre as suas responsabilidades no processo” e que uma negação com esse “grau de profundidade é caricato”.
Com Ana Suspiro
GASPAR PRETENDE ESCONDER A DESGRAÇA QUE CRIOU NO PAIS E A SUA INCOMPETÊNCIA.
ACUSA SEM PROVAS.
AGORA VAI TER DE EXPLICAR TUDO DIREITINHO E APRESENTAR OS RELATÓRIOS E OS AVISOS QUE JÁ CONHECIA HÁ DOIS ANOS. PORQUÊ SÓ AGORA ACORDOU?
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