Alemanha: Líder do SPD recusa «maus compromissos» com Merkel
O líder dos sociais-democratas alemães, Sigmar Gabriel, pediu hoje aos militantes que apoiem uma coligação com a CDU de Angela Merkel e prometeu não "vender a alma" do partido com "maus compromissos" com os conservadores.
"Se conseguirmos incluir uma clara marca social-democrata no acordo de coligação, não terei medo de pedir aos nossos 470.000 membros que aceitem a coligação, que é temporária", disse Sigmar Gabriel aos cerca de 600 delegados do Partido Social-Democrata (SPD) reunidos em congresso extraordinário em Leipzig (leste).
"Só vamos aceitar bons compromissos, não maus compromissos", acrescentou, sob os aplausos dos delegados, dirigindo-se aos setores do partido ainda céticos em relação a uma aliança com os conservadores da União Democrata-Cristã (CDU).
Em negociações há três semanas, sociais-democratas e conservadores têm várias divergências políticas a resolver até 27 de novembro, a data prevista para a conclusão de um acordo de coligação.
No seu discurso, Gabriel enumerou algumas das condições de que o SPD não abdica, como o salário mínimo universal de 8,5 euros/hora, mas advertiu que o programa eleitoral social-democrata não pode estar "100%" no acordo de coligação.
"O SPD pode conseguir muito para os alemães nestas negociações, mas não deve jogar o tudo ou nada", disse.
A secretária-geral do SPD, Andrea Nahles, advertiu numa entrevista publicada hoje pelo jornal Frankfurter Rundschau para diferenças "quase inultrapassáveis" em certas questões, acrescentando que ambos os partidos querem chegar a acordo, mas que "ainda há muito a fazer pela frente".
O congresso do SPD é a última oportunidade do líder do partido para congregar os militantes antes de lhes submeter a votação o acordo de coligação com a CDU, processo que vai decorrer entre 06 e 12 de dezembro.
No discurso de abertura do congresso, Nahles centrou-se na natureza democrática deste processo e encorajou os delegados a uma "participação viva e aberta" tanto em relação à consulta sobre a coligação como à moção que abre uma possibilidade de uma futura aliança com A Esquerda (Die Linke).
Muitos militantes sociais-democratas têm manifestado reservas à coligação com a CDU, quer pelas diferentes opções políticas que separam as duas principais formações políticas alemãs, quer porque a última vez que os dois partidos governaram juntos, entre 2005 e 2009, na primeira legislatura de Merkel, se traduziu numa considerável perda de eleitorado para o SPD.
Coincidindo com a abertura do congresso de Leipzig, a imprensa alemã publicou hoje um manifesto de artistas e intelectuais, entre os quais a atriz Hanna Schygulla e o escritor Ingo Shulze, pedindo aos militantes do SPD para rejeitarem uma coligação com a CDU.
"Uma grande coligação debilita a democracia e trava a ação da oposição", afirmam os signatários do manifesto, apelando ao SPD para que mostre coragem e impeça a reedição do que consideram uma "paralisação da democracia".
Diário Digital com Lusa
A SENHORA MERKEL SE QUER GOVERNAR TEM DE FAZER CEDÊNCIAS PORQUE NÃO TEM MAIORIA.
QUE O SPD SEJA FIRME NAS SUAS POSIÇÕES E QUE NÃO CEDA NA DESTRUIÇÃO DO ESTADO SOCIAL E NO RELANÇAMENTO DA ECONOMIA.
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