Janet Yellen, que assumirá o cargo de presidente da Reserva Federal no próximo ano, considera imperativo que o banco central promova uma “forte recuperação” da economia, pelo que os estímulos monetários não serão removidos rapidamente.
Janet Yellen, nomeada para substituir Ben Bernanke na presidência da Reserva Federal dos Estados Unidos, fez esta quinta-feira um discurso que indica que a próxima líder do banco central mais poderosos do mundo é favorável à manutenção dos estímulos económicos por mais tempo, para suportar a recuperação da economia.
“Considero imperativo que façamos o que for preciso para promover uma recuperação económica forte”, disse Yellen, em resposta a uma questão colocada no Senado, onde está a ser ouvida no âmbito da nomeação para presidir à Fed.
“É importante não remover o suporte, especialmente quando a recuperação é frágil e as ferramentas disponíveis na política monetária são limitadas, dado que a taxa de juro de curto prazo estão perto de zero”, acrescentou Yellen.
A Fed tem a taxa de juro em mínimos históricos desde 2008 e implementou um programa de compra de activos de 85 mil milhões de dólares por mês para impulsionar a economia. Nos últimos meses o debate tem estado centrado em determinar quando a Fed começará a reduzir este programa, sendo que as declarações da Yellen fazem crer que não será tão cedo.
“Uma forte recuperação vai permitir à Fed reduzir a sai política acomodatícia e a dependência de medidas não convencionais como o programa de compra de dívida”, acrescentou, citada pela Bloomberg.
No discurso inicial de Yellen, que tinha sido tornado publico já ontem, a próxima presidente da Fed – a primeira mulher a liderar o banco central – tinha indicado que iria dar continuidade aos estímulos sem precedentes do banco central até que se vejam melhorias numa economia que está a funcionar abaixo do seu potencial.
“Uma recuperação sólida acabará por permitir que a Fed reduza a sua acomodação monetária e a dependência de instrumentos não convencionais, como a compra de activos”, sustenta Yellen.
Pela primeira vez em sete meses, Yellen está a expressar publicamente a sua visão relativa à política monetária expansionista, a qual apoia, e razão pela qual alguns responsáveis políticos votaram contra si. A nova guardiã da Reserva Federal absteve-se de se envolver publicamente no debate sobre a compra de activos enquanto estava sob consideração para a sucessão a Ben Bernanke, cujo mandato termina no dia 31 de Janeiro.
O seu último discurso público, sobre regulamentação, foi apresentado a 2 de Junho, e sobre política monetária não diz uma palavra desde o dia 6 de Abril. Confirmado o seu lugar como presidente da Fed, Yellen vai também liderar a implementação da revisão mais abrangente da regulação financeira desde a década de 1930. Yellen acredita que “há muito trabalho pela frente” para tornar o sistema financeiro mais seguro e mais estável.
Destinos da Fed estão na asa de uma “pomba”
Nas três páginas de discurso preparado para esta quinta-feira, Yellen diz também que o desemprego “ainda está muito elevado, reflectindo um mercado de trabalho e uma economia, que estão a funcionar abaixo do seu potencial”, e que a inflação deverá ficar aquém do objectivo de 2% fixado pela Fed.
Janet Yellen é considerada uma “pomba”, que em jargão económico denomina alguém que dá prioridade ao combate ao desemprego em detrimento de um controlo mais apertado da inflação.
A futura sucessora de Ben Bernanke apoia e dará seguimento às actuais políticas de estímulo à economia e que são as mais expansionistas da história da Fed. O banco central norte-americano tem a missão de conduzir uma política monetária que assegura a estabilidade dos preços e a evolução da economia de acordo com o seu potencial.
Janet Yellen chega à presidência da Reserva federal dos Estados Unidos numa altura crucial, em que o banco central da maior economia do mundo considera a possibilidade de abrandar o seu programa de compra de obrigações no valor de 85 mil milhões de dólares por mês, o que está a empurrar os activos da Fed para um recorde de 4 biliões.
Actual vice-presidente do Conselho de Governadores da Fed, desde 4 de Outubro de 2010, Yellen presidiu antes ao banco do Sistema da Reserva Federal em San Francisco. Licenciada na Universidade de Brown, em 1967, e doutorada em Yale, em 1971, presidiu ao Conselho dos Consultores Económicos do Presidente democrata Bill Clinton, entre 1997 e 1999.
Casada com George Akerlof, galardoado com o Prémio Nobel da Economia, Yellen tem uma extensa obra publicada sobre macroeconomia, em particular sobre as causas, os mecanismos e as implicações do desemprego.
Ben Bernanke tomou posse à frente da Fed no final de Janeiro de 2006 e foi reconduzido por Obama, em Janeiro de 2010, para um segundo mandato. Depois de dois mandatos de quatro anos, será altura de abandonar as funções em Janeiro do próximo ano.
O seu antecessor, Alan Greenspan, conduziu a política monetária do país durante 19 anos, entre 1987 e 2006.
BOAS PALAVRAS PARA A ECONOMIA AMERICANA- É PRECISO UM NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO E UMA NOVA ORDEM ECONOMICA MUNDIAL BASTA DE SOFRIMENTO.
Sem comentários:
Enviar um comentário