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Ex-mulher de Hollande é heroína dos "barretes vermelhos"
Na noite passada, foram incendiados mais cinco radares de controlo de velocidade nas estradas da Bretanha. Apesar das patrulhas quase permanentes da polícia, foram destruídos, total ou parcialmente, em meia dúzia de dias, 44 dos 120 radares da região.
Na Finisterra, na chamada "Bretanha profunda", na parte ocidental desta Província francesa, os radares que ainda estão em funcionamento nas estradas são muito poucos. Quanto aos pórticos das novas portagens ecológicas ("ecotaxa") para os veículos pesados que o Governo de Paris desejava por em funcionamento nas estradas nacionais a partir de um de janeiro, foram todos destruídos ou desmontados.
A revolta dos "barretes vermelhos" contra a "ecotaxa", que começou na Finisterra e alastrou a seguir ao resto do país, ganha todos os dias mais adeptos e, hoje, recebeu o inesperado apoio de Ségolène Royal, ex-mulher do presidente François Hollande e mãe dos seus quatro filhos. Ségolène considerou "reconfortante" um movimento que se está a transformar num verdadeiro problema para o poder socialista.
"Não gosto de povos apáticos", explica Ségolène Royal
O apoio da antiga candidata socialista às presidenciais francesas aos "barretes vermelhos", que também foram "compreendidos" por Anne Hidalgo, candidata do PS à Câmara de Paris, foi bem recebido na Bretanha. "Ségolène é diferente de Hollande, a revolução está em andamento e, de momento, pelo menos, é certo que vamos fazer cair este Governo", diz esta noite, ao Expresso, em Quimper, capital do departamento da Finisterra, um "barrete vermelho".
O movimento, cada vez mais radicalizado, é heteróclita - reúne bretões de todas as classes, do patronato empresarial aos assalariados e aos comerciantes, e de todas as cores politicas, da extrema-esquerda à extrema-direita.
Apesar das ameaças de repressão - o "prefeito" da região bretã anunciou hoje, em Rennes, o reforço das forças policiais - os "barretes vermelhos" alargaram as reivindicações. Lutam contra a "ecotaxa", mas também contra o desemprego, os programas de reestruturação de empresas e as falências e as "taxas e quotas" impostas pela União Europeia na agricultura e nas pescas.
"É uma revolta cidadã, prefiro povos em movimento, não gosto de povos apáticos", explica Ségolène Royal.
Na Finisterra, onde se evoca com muita discrição o ressurgimento de movimentos radicais clandestinos nacionalistas e independentistas bretões, fala-se também esta noite em prováveis mudanças no Governo de Paris. "Mas, se Ségolène entrar para o Governo que não nos desiluda a seguir!", exclama um bretão.
A contestação, que começou recentemente na Bretanha contra a "ecotaxa", transformou-se numa revolta mais global dos franceses contra a pressão fiscal e o desemprego, designadamente. Mas também revela uma evidente desilusão com François Hollande, presidente da França, eleito em maio de 2012.
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